Teatro capixaba mostra a cara

Cinco companhias do Espírito Santo chegam à cidade para mostrar força da produção teatral do Estado vizinho

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Miscelânea.Mostra traz pluralidade do teatro capixaba, como “Bernarda, por Detrás das Paredes”
ARINY BIANCHI
Miscelânea.Mostra traz pluralidade do teatro capixaba, como “Bernarda, por Detrás das Paredes”

Primo pobre da região mais rica do país, o Estado do Espírito Santo costuma ser apenas coadjuvante. Com a larga sombra de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, o Estado fica quase esquecido. Para “dar as caras”, no entanto, a mostra ES em Cena chega a Belo Horizonte, com cinco espetáculos de cinco diferentes coletivos vindos de lá.

“Isso não acontece apenas com o teatro. Em diversos sentidos, somos o Estado menos conhecido do Sudeste”, reconhece Bruna Dornellas, da WB Produtora, responsável pela mostra.

Acostumados a receber espetáculos de fora em Vitória, capital do Estado, ela e seu sócio Wesley sempre eram confrontados com a curiosidade dos “forasteiros” que perguntavam pelos artistas locais e seus espetáculos.

“Sempre respondíamos que ‘sim, havia cena local no Espírito Santo’, e começamos a perceber a necessidade de levar essa produção a outros Estados e mostrar o trabalho realizado aqui”, explica ela.

Os sócios, então, escolheram cinco coletivos com trabalho em repertório para fazer o giro pelo país. “Selecionamos pelo nosso gosto pessoal e também optamos por grupos que estivessem ligados à pesquisa de linguagem”, garante a produtora.

Dentre eles, três são da capital Vitória, um de Vila Velha – região metropolitana da capital – e outro de Guaçuí, cidade de pouco mais de 30 mil habitantes localizada no sul do Estado. O Grupo Gota, Pó e Poeira é um coletivo que movimenta a cena cultural de sua cidade. “Nossa escolha por esses grupos também levou em consideração uma pluralidade de linguagens, queríamos fazer uma miscelânea bem diversa do que é produzido aqui”, acrescenta Bruna.

Repercussão. O projeto ES em Cena já existia há três anos quando encontrou um patrocinador para levantar os recursos, por meio da Lei Rouanet. Antes de chegarem a Belo Horizonte, os capixabas passaram por Salvador, São Luís e Curitiba, onde se apresentaram na mostra paralela do festival de lá, um dos mais visados no país.

A repercussão foi, nas palavras da produtora Bruna, “muito positiva”: “As pessoas chegavam meio desconfiadas, perguntando: ‘Não é teatro amador? Existe teatro profissional mesmo no Espírito Santo?’”, relembra ela. Mas a casa cheia todos os dias e uma boa repercussão na imprensa fizeram a passagem por Curitiba ser bem-sucedida, de fato.

Outra estratégia que revelou a boa relação com a plateia foram os bate-papos após cada apresentação. “Geralmente, ficavam artistas ou estudantes de teatro para conversar com a gente. Esse público foi muito generoso também”, comemora Bruna.

Programação Nesta quarta, às 21h: “Estórias de um Povo de Lá”, do Grupo Gota, Pó e Poeira Nesta quinta, às 21h: “Insone”, do Grupo Z Sexta, às 21h “O Pastelão e a Torta”, dos Folgazões Sábado, às 21h “Bernarda, por Detrás das Paredes”da Cia. Repertório Domingo, às 19h “Mefisto”, da Cia Teatro Urgente. Onde: Galpão Cine Horto (rua Pitangui, 3.613, Horto) Quanto. Entrada franca

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave