Pesquisa da USP desenvolve aparelho que detecta dengue em 20 minutos

Atualmente, o exame para detectar a doença só pode ser feito no sexto dia, o que faz com que ela seja confundida com outras infecções

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O mosquito da dengue tem cerca de 0,5 cm de comprimento, é preto com pequenos riscos brancos no dorso e na cabeça e praticamente inaudível ao seres humanos
Emílio Goeldi / DIVULGAÇÃO
O mosquito da dengue tem cerca de 0,5 cm de comprimento, é preto com pequenos riscos brancos no dorso e na cabeça e praticamente inaudível ao seres humanos

Um aparelho portátil e de baixo custo, desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Física da USP, é capaz de diagnosticar com precisão pacientes com o vírus da dengue em apenas 20 minutos. A novidade está sendo possível porque um estudo mostrou alta concentração da proteína NS1, produzida pelo vírus.

Atualmente, o exame para detectar a doença só pode ser feito no sexto dia, o que faz com que ela seja confundida com outras infecções e nem sempre tratada da forma adequada. A demora no diagnóstico pode levar, especialmente nos casos de reincidência, à morte.

— O teste convencional não pode ser feito nos primeiros dias porque ele mede a concentração de anticorpos. Já o novo aparelho detecta a proteína já nos primeiros dias— diz o professor Francisco Guimarães

O dispositivo, similar ao que é utilizado na medição de glicemia, funciona da seguinte forma: o anticorpo que reage à proteína NS1 é cultivado na gema do ovo. Em seguida, ele é colocado em alta concentração sobre uma membrana metálica, a qual em contato com o sangue infectado, reage eletricamente.

Guimarães destaca que a utilização de ovos de galinha para produzir os anticorpos foi uma das formas encontradas para baratear o custo do produto. O aparelho deve custar entre R$ 100 e R$ 200.

— A ideia é que todo posto de saúde, mesmo em lugares mais remotos, possa fazer o teste rápido, sem que o sangue tenha que ser levado para grandes centros. Evita-se a demora no resultado, pois é um teste direto— explica o cientista.

Ele espera que, em no máximo dois anos, o dispositivo esteja disponível para venda. O protótipo terá de passar ainda pela etapa de desenvolvimento do produto, de validação pela Anvisa, de produção e só então a etapa de venda. A próxima fase da pesquisa é desenvolver biossensores que identifiquem o tipo de vírus da dengue.

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