CBV afirma não reconhecer associação de clubes de vôlei

Apesar da nota divulgada pela entidade maior do vôlei brasileiro, reunião entre as partes já está agendada para que primeiros assuntos sejam debatidos

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Walter Pitombo Larangeiras, o Toroca (à direita) se reunirá com representantes da associação no próximo dia 29
CBV - DIVULGAÇÃO
Walter Pitombo Larangeiras, o Toroca (à direita) se reunirá com representantes da associação no próximo dia 29

A Associação de Clubes de Vôlei (ACV), formada recentemente pelos clubes participantes das Superligas, já encontra seu primeiro obstáculo. Depois da primeira reunião e da criação do seu estatuto, que definiu as funções de cada membro, a CBV divulgou nota informando que não reconhece a associação. Para a entidade que comanda o vôlei, é preciso que o grupo esteja de acordo com o planejamento traçado por ela. "Desta maneira não é possível saber se os interesses da mesma estão alinhados aos objetivos do voleibol brasileiro. Para que qualquer associação seja reconhecida pela CBV, a mesma deve ter suas ações em consonância com o planejamento estratégico do vôlei brasileiro, elaborado pela CBV", indica o presidente da CBV, Walter Pitombo Larangeiras, o Toroca.

A intenção da ACV é tentar fazer com que os clubes tenham maior participação nos contratos realizados pela CBV, além de terem mais espaço em reuniões e decisões que envolvem a modalidade.

“A criação da associação é uma reivindicação antiga e justa dos times de vôlei da Superliga que pretendem uma maior transparência na gestão do vôlei brasileiro, além de uma participação mais ativa em contratos e regulamentos das competições que participam", destaca Rogério Loureiro, presidente licenciado do Voltaço.

Apesar do não reconhecimento, o presidente da Associação, Ricardo Barros, representante do Moda Maringá-PR, afirma que a situação pode ter um direcionamento diferente a partir de encontro já marcado. "Eu mesmo entrei em contato com o Toroca, por telefone, e marquei uma reunião para o dia 29 de abril, às 11h. Todos os integrantes da ACV foram chamados e são bem-vindos. A expectativa é a melhor possível. Precisamos realizar este encontro para saber como se dará este início da projeto. Mas estamos tranquilos e acredito que teremos resultados rápidos para os clubes", comenta.

Barros acredita que a união precisa ir além dos clubes. "Os times juntos têm muita força e é preciso que a CBV reconheça isso. Ao mesmo tempo, sabemos que a CBV possui bons contratos de patrocínio é reconhecida pela FIVB, a maior entidade de vôlei do mundo. Devido ao momento de instabilidade que a CBV atravessa, era mais do que normal que ela se manifestasse. Mas acredito muito que vamos nos entender e trabalhar em conjunto para fortalecer a modalidade dentro do país", projeta o dirigente paranaense.

Representantes de clubes possuem diferentes funções

A diretoria eleita pelos participantes do encontro tem como presidente Ricardo Barros, represente do Moda Maringá. O vice-presidente será Vittorio Medioli, representante do Sada Cruzeiro, e o segundo vice-presidente será Eduardo Augusto Carreiro, representante do Sesi-SP. Rogério Loureiro, representante do Voltaço, será o secretário.

O presidente do Conselho Fiscal será Andrey George Silva (Montes Claros Vôlei), que terá como membros Fábio Cézar Senna Trindade (Canoas) e Ricardo Navajas (Funvic Taubaté). O suplente será Nizivaldo Costa de Oliveira Araújo (São Bernardo Vôlei). A sede provisória da instituição funcionará em Maringá-PR, na sede do clube Vôlei Brasil Centro de Excelência.

Situação distinta no feminino

Enquanto no masculino, os clubes se unem e mostram sua força, no feminino a situação é bem distinta. Isso porque os três clubes de maior força, pelo menos dentro da quadra, ainda não se juntaram aos outros representantes.

Unilever-RJ, Vôlei Amil-SP e Molico-Nestlé-SP não se manifestaram sobre o assunto. Muito se especula sobre o fato de figuras como Bernardinho e José Roberto Guimarães, treinadores das seleções masculina e feminina, não terem interesse de expor ideias contrárias à CBV.

No caso do Molico, interesses políticos estariam impedindo uma manifestação contrária do time em relação à CBV. São Caetano e Pinheiros também estão fora da associação.