Trabalhador que não quer tirar folga é tendência, diz estudo

Na contramão dos movimentos trabalhistas, eles preferem passar o tempo dentro do escritório

iG Minas Gerais |

Preferência. Realizadas profissionalmente, essas pessoas preferem não tirar folga e se concentrar
ELIZABETH DALZIEL
Preferência. Realizadas profissionalmente, essas pessoas preferem não tirar folga e se concentrar

LONDRES, Reino Unido. Uma classe de “supertrabalhadores” composta de pessoas mais bem remuneradas e com nível alto de educação está surgindo. Preferindo passar tempo dentro do escritório, essas pessoas empenham mais horas no trabalho do que os assalariados menos abastados e preferem passar seu tempo no escritório a ter algumas horas de lazer. A tendência no mercado de trabalho foi apresentada por uma pesquisa da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e divulgada pelo jornal britânico “The Telegraph”.

O tempo de lazer era considerado um símbolo de poder social no século XIX. Somente quem era rico podia passar seus dias sem produzir. Porém, passar o dia sem fazer nada é considerado sinal de preguiça – ou desemprego – nos dias de hoje. “No começo do século XXI, a classe mais rica já estava trabalhando mais horas”, ressaltou o estudo.

O pesquisador Hans-Joachim Voth, da Universidade de Zurique, afirmou ao “Telegraph” que em 1800, a média de trabalho no Reino Unido era de 64 horas por semana. “No século XIX, era possível dizer o quão pobre alguém era pela quantidade de horas que trabalhava”, conta.

Ainda de acordo com o estudo, o número de horas trabalhadas pelos mais abastados cresceu consideravelmente desde a década de 1960. Em 1965, homens com diploma universitário tinham um pouco mais de tempo de lazer do que aqueles que não tinham uma educação formal. Mas em 2005 estudantes universitários já trabalhavam oito horas ou mais durante a semana do que os trabalhadores sem diploma.

O resultado é uma classe de supertrabalhadores que está na contramão da história, pois, tradicionalmente, são as classes mais pobres as que mais trabalham.

Satisfação pessoal. Os economistas também apontam que quanto mais alto o nível de educação, mais distante esses indivíduos ficam de tarefas fisicamente pesadas. O trabalho, desta forma, parece ter se tornado mais satisfatório tanto intelectual quanto emocionalmente. Com essa vantagem, os supertrabalhadores sentem menos necessidade do período de folga.

No passado, as classes mais altas trabalhavam menos, mas preenchiam seu tempo com atividades consideradas “recompensadoras”, como estudos de ciência, artes e direito, além da prática de caridade. Atualmente, argumenta a pesquisa, as atividades antes voluntárias, agora são ocupações remuneradas. As classes mais ricas recebem dinheiro pelo que era considerado lazer. Cientistas, atletas, artistas e advogados são pagos pelo seu trabalho.

A pesquisadora Arlie Russell-Hochschild, da Universidade da Califórnia, sugere que a medida que o trabalho se torna mais recompensador, a pessoa começa a preferi-lo a passar tempo dentro de casa, criando os supertrabalhadores.

Os pesquisadores também especulam que salários mais elevados fazem o trabalho parecer mais atraente. A tendência é ainda mais marcante para mulheres, que deixaram as tarefas domésticas para trabalhos assalariados.

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