“Os eleitores já não se baseiam mais em escândalos para votar”

David Verge - Professor emérito da UnB

iG Minas Gerais |

É muito comum que em anos eleitorais o número de escândalos e CPIs cresçam. Até que pontos esses fatos se refletem nas eleições? Muito pouco. Os eleitores já não se baseiam mais nisso para votar. As pessoas hoje pensam que todos os políticos são assim e não os diferenciam mais por estarem ou não envolvidos em denúncias.

Quais os ingredientes necessários para que um escândalo influencie nas urnas?

O escândalo por si só não tem efeito. Ele só é decisivo quanto fica colado na figura do candidato. É o que estão tentando fazer com a Dilma em relação a Petrobras. Outra possibilidade é se o envolvido estiver diretamente ligado ao candidato, como um vice ou ministro próximo, como da Casa Civil, por exemplo. O mensalão é o maior exemplo de que um escândalo por si só não causa estragos. O presidente Lula conseguiu se sair bem da situação e foi reeleito.

Faz parte da estratégia do jogo tentar personificar tanto quem ataca quanto quem é alvo das denúncias ou perto dele está?

É o que estão fazendo com o Aécio Neves. Estão o colocando na frente de todos os ataques para dar mais espaço a ele. Aécio pegou carona na Petrobras.

O senhor se lembra de algum episódio em que os políticos tenham sido penalizados nas urnas em função de uma denúncia?

No caso da Máfia dos Sanguessugas. A CPI criada no Congresso para apurar o caso apontou o envolvimento de 69 deputados que disputavam a reeleição. Deste grupo, apenas cinco parlamentares conseguiram se reeleger. (TT)

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