Escândalos não pesam na urna

Perto das campanha, as histórias de corrupção se multiplicam, mas não têm reflexos eleitorais

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Caso único. A Máfia do Sanguessuga, que teve Luiz Antônio Vedoin como pivô, prejudicou deputados
BETO BARATA/AGÒNCIA ESTADO/AE
Caso único. A Máfia do Sanguessuga, que teve Luiz Antônio Vedoin como pivô, prejudicou deputados

Já virou estratégia de marketing integrada quase que oficialmente ao calendário eleitoral brasileiro. Em ano de disputa nas urnas, os escândalos brotam em todos os Três Poderes. Cientistas políticos, no entanto, analisam que os reflexos dos ataques nas urnas são insignificantes e avaliam que a tática, muitas vezes, com o único objetivo de desgastar o rival, pode ser um tiro no pé e não surtir o efeito desejado no eleitor.

Na avaliação da cientista política Helcimara Telles, quando os ataques são personificados ganham um poder maior de explosão. “Quando a denúncia está ligada a uma instituição, ela fica mais invisível ao eleitor”, avalia.

Por isso, para a professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os escândalos envolvendo a Petrobras e o cartel de São Paulo na gestão tucana não deverão afetar a presidente Dilma Rousseff na disputa pela reeleição ou a candidatura de Aécio Neves (PSDB).

O país vive hoje, segundo Helcimara, uma banalização das denúncias e, em função disso, apenas se o episódio for calçado de provas concretas para serem exibidas durante a propaganda eleitoral de televisão e rádio podem, de fato, influenciar no resultado das urnas.

“A princípio, os escândalos não são capazes de fazer alguém perder as eleições. Eles deveriam ser casos raros, mas quando são exibidos todos os dias, passam a fazer parte do mundo da política. Assim, o eleitor pensa que não há razão para deixar de votar neste ou naquele candidato em função de uma acusação. Isso deixa de ser algo particular”, afirma a professora.

O professor emérito de ciências políticas da Universidade de Brasília (UnB) David Verge lamenta que a cultura de fábrica de denúncias esteja tão enraizada no país. Para ele, esse é o reflexo da falta de propostas. “No Brasil, existe uma dificuldade dos candidatos de colocar programas em discussão, como planejamento econômico, direitos humanos, drogas, saúde, para se diferenciar do concorrente”, afirma. Ele observa que a tática das campanhas é sempre tentar se criar a divisão entre o bom e o mau.

“A eleição acaba sendo focada apenas em fatos morais e, não, em propostas concretas de governo. As pessoas pensam que podem votar em qualquer um”, analisa Helcimara Telles.

Arsenal. Nos primeiros quatro meses deste ano, os eleitores já foram bombardeados com pelo menos três escândalos. O número, segundo Verge, tem tudo para crescer ate outubro. Em São Paulo, os tucanos enfrentam as suspeitas de cartel nos contratos de trens da capital paulista. Já os petistas tentam administrar as suspeitas de irregularidades envolvendo a Petrobras e o deputado federal André Vargas, ligado ao doleiro Alberto Youssef.

Coleção

Denúncias em anos eleitorais:

2002: Caso Celso Daniel

2006: mensalão do PT, caso Waldomiro Dinis, mensalão mineiro, dólares na Cueca

2010: mensalão do DEM, caso Erenice Guerra, caso Paulo Preto, espionagem do PT contra oposição ,

2014: Petrobras e André Vargas, cartel em de São Paulo

Entenda

Instituições. Denúncias que têm como foco as instituições e não possuem alvos personificados, como é o caso da Petrobras, costumam não gerar nenhum efeito eleitoral, segundo os cientistas políticos.

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