Trajetória de experimentação

A mostra “Expoprojeção 73 Hoje” é inaugurada no Centro de Arte Contemporânea e Fotografia em BH

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Coletiva. Anna Maria Maiolino é uma das artistas com um trabalho exposto na “Expoprojeção 73”
Reprodução
Coletiva. Anna Maria Maiolino é uma das artistas com um trabalho exposto na “Expoprojeção 73”

O curador Roberto Cruz, há cerca de três anos, começou a pesquisar um projeto que em 1973 revelou a produção artística de artistas brasileiros em linguagem audiovisual – uma novidade para a época. Batizada “Expoprojeção 73” e organizada por Aracy Amaral, a exposição, naquele momento, trouxe a público trabalhos de Cildo Meireles, Lygia Pape, Hélio Oiticica, além de outros mineiros, como Beatriz Dantas, Paulo Lemos, Frederico Morais, George Helt e Luiz Alphonsus.

Fruto desse reencontro com o passado, a mostra “Expoprojeção 73 Hoje”, que é inaugurada hoje no Centro de Arte Contemporânea e Fotografia, de Belo Horizonte, expõe obras de 30 nomes presentes na primeira versão dessa coletiva.

Após estrear em 2013, em São Paulo, em razão da comemoração dos 40 anos da iniciativa, aqui o público verá uma coleção mais enxuta. “Nós selecionamos uma obra de cada um dos artistas que também foram expostos em São Paulo. Priorizamos os trabalhos que consideramos serem mais relevantes dentro do conjunto e para a trajetória dos autores”, diz Roberto Cruz.

Dentre as criações acolhidas, ele destaca os filmes de Raymundo Colares, que raramente foram vistos. “Uma contribuição dessa mostra é a maneira como coloca novamente em circulação obras que estavam praticamente esquecidas. Os vídeos de Raymundo Colares são um exemplo disso. Eles estavam guardados com a Aracy Amaral e desde os anos 1970 nunca tinham sido mais exibidos. Nós os restauramos e agora estão numa qualidade semelhante à original”, frisa ele.

Desde que começou essa pesquisa, o curador conta ter conseguido localizar 65 obras das cem reunidas em 1973. Embora o volume restante ainda tenha destino desconhecido, Cruz aponta a relevância dessa proposta que conecta o presente a um contexto inaugural para a arte contemporânea brasileira.

“Naquela época, não havia um circuito nem um mercado de arte voltado para esse tipo de produção no campo da arte contemporânea. Mas é muito interessante notar que várias pessoas que participaram daquele projeto se tornaram muito consagradas, como a Lygia Pape, o Cildo Meireles, o Artur Barrio, o Hélio Oiticica”, observa Cruz. “Essa é também uma tentativa de recontar um pouco da história desse momento, relacionando essa produção com o contexto da ditadura”, acrescenta.

Bastante variados em relação a temáticas e perspectivas, os filmes foram rodados em super-8, 16 mm ou utilizando a técnica dos slides. Em comum, para Cruz, é o tom experimental das obras, o que aponta também o interesse dos artistas em experimentar uma nova linguagem e a partir dela expressar, ainda que metaforicamente, visões sobre o cenário social e político do país.

“Houve alguns trabalhos explicitamente mais combativos, como o filme ‘Natureza’, de Luis Afonso, que inclusive foi censurado. A maioria trabalha essa perspectiva mais crítica por meio de metáforas, espelhando um desconforto com o presente”, conclui Cruz.

Agenda

O quê. Abertura da mostra “Expoprojeção 73 Hoje”

Quando. De hoje a1/7; de 3ª a sáb., das 9h30 às 22h; dom., das 16h às 22

Onde. Centro de Arte Contemporânea e Fotografia (av. Afonso Pena, 737, centro)

Quanto. Entrada franca

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