Abraço simbólico reúne 10 mil pessoas na Serra da Moeda

A iniciativa, da ONG Abrace a Serra da Moeda, é realizada há sete anos, sempre no dia 21 de abril; O abraço simboliza a proteção contra a expansão da mineração que é a maior ameaça à serra da Moeda, segundo os organizadores

iG Minas Gerais | Camila Bastos |

Cidades - Em prol do meio ambiente e contra a exploracao predatoria de minerio de ferro na regao da Serra da Moeda em Nova Lima MG, na grande BH, uma multidao deu um abraco simbolico na Serra . O objetivo do ato , organizado pela Ong Abrace a Serra da Moeda , e chamar a atencao do governo e da sociedade para a urgencia de protecao da montanha , seu patrimonio natural e cultural , ameacados com a expansao da atividade mineraria . Foto: Alex de Jesus/O Tempo 21/04/2014
ALEX DE JESUS/O TEMPO
Cidades - Em prol do meio ambiente e contra a exploracao predatoria de minerio de ferro na regao da Serra da Moeda em Nova Lima MG, na grande BH, uma multidao deu um abraco simbolico na Serra . O objetivo do ato , organizado pela Ong Abrace a Serra da Moeda , e chamar a atencao do governo e da sociedade para a urgencia de protecao da montanha , seu patrimonio natural e cultural , ameacados com a expansao da atividade mineraria . Foto: Alex de Jesus/O Tempo 21/04/2014

A Serra da Moeda, na cidade de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, foi envolvida ontem por um abraço coletivo que reuniu cerca de 10 mil pessoas, de acordo com os organizadores. A iniciativa, da ONG Abrace a Serra da Moeda, é realizada há sete anos, sempre no dia 21 de abril.

A data é conhecida por homenagear Tiradentes, herói da Inconfidência Mineira, período em que a extração do ouro trazia diversos males socioambientais e econômicos para Minas Gerais. “Antes, era o ouro. Hoje é a extração do minérios de ferro que traz tantas mazelas para a população mineira”, explica a vice-presidente da ONG, Ana Amélia Lage.

Foram fretados doze ônibus para que as comunidades e municípios que fazem parte da serra pudessem comparecer. Alguns deles levaram cerca de 200 alunos da Escola Estadual Senador Melo, de Moeda. “É muito importante para que os meninos tomem consciência que isso deve ser feito por todos. É feriado, mas proteção não tem dia”, defende a professora Sônia Rosa, 49. 

O abraço simboliza a proteção contra a expansão da mineração que, segundo Ana Amélia, é a maior ameaça à serra da Moeda. A ONG luta contra a reativação da mina da Serrinha, comprada pela mineradora Ferrous Resources em 2007. Por meio de nota, a Ferrous disse que “acredita que é possível conciliar a mineração com a conservação do meio ambiente”. A empresa também afirmou que cumpre todas as exigências do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado com o Ministério Público de Minas Gerais para a regularização ambiental da mina Serrinha.

Proteção

Em março do ano passado, a prefeitura de Brumadinho instituiu 500 hectares da serra como Monumento Ambiental – um tipo de Unidade de Conservação que protege áreas naturais singulares.  O Monumento Ambiental Mãe D’água recebeu o nome da maior nascente da região, mas em maio do mesmo ano, uma grande parte foi destituída, sob alegação de não pertencer ao município de Brumadinho.

A região integra a bacia do Paraopeba e, com 31 nascentes, é responsável por cerca de 25% do abastecimento de água da capital. Os estudos da ONG apontam que a mineração secaria as nascentes. 

Além da importância hídrica, a serra da Moeda também abriga cinco comunidades quilombolas, que seriam diretamente afetadas pela reativação da mina.

Representantes da comunidade quilombola De Marinhos, na região de Brumadinho, apresentaram uma dança tradicional durante o evento e levaram amostras das sementes orgânicas de feijão, milho e café que cultivam na comunidade.

“Fico muito feliz de ver o povo empenhado lutando pelo direito de todos. É um sinal de união”, diz a quilombola Leide Santana Silva, 62. Uma guarda de congado do município de Córrego Ferreira, também se apresentou. A Serra da Moeda possui espécies de vegetação endêmicas, ou seja, exclusivas daquele lugar. Isso acontece devido à altitude e a escassez de nutrientes no solo, rico em minério de ferro. “(A vegetação) É a primeira coisa que atividade mineradora tira”, explica o biólogo da ONG Vinícius Assis.

A serra também é o lar de exemplares de animais em extinção, como a jaguatirica, o veado campeiro e o lobo guará. 

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