Presidente sul-coreana critica tripulação de balsa

De acordo com a declaração de Park Geun-hye, responsáveis pelo naufrágio terão de responder 'civil e criminalmente' por seus atos

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Naufrágio. Quase 500 pessoas estavam dentro de barca que mudou de curso, tombou e afundou deixando quase 300 desaparecidos
Ahn Young-joon
Naufrágio. Quase 500 pessoas estavam dentro de barca que mudou de curso, tombou e afundou deixando quase 300 desaparecidos
A presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, criticou a ação da tripulação da balsa que naufragou na semana passada dizendo que a conduta do capitão e dos tripulantes foi "semelhante à de um assassinato". Park acrescentou que os responsáveis pelo naufrágio terão de responder "civil e criminalmente" por seus atos. Mergulhadores continuam retirando corpos de vítimas à medida que vão ganhando acesso ao interior do navio. O saldo de mortos já chega a 64 e 238 pessoas, em sua maioria estudantes de uma escola perto da capital, Seul, permanecem desaparecidas. Os corpos das vítimas estão sendo levados para Jindo, um ilha no sul do país perto de onde o navio adernou. Enquanto isso, a polícia liberou o acesso a centenas de mensagens enviadas por passageiros e pela tripulação, na intenção de reconstruir a cronologia dos últimos momentos antes do naufrágio.   Transcrição Park, cujo governo vem sofrendo fortes críticas, em particular pela falta de êxito em conseguir resgatar passageiros desaparecidos com vida, afirmou que a conduta do capitão e alguns membros da tripulação "foram completamente incompreensíveis, inaceitáveis e semelhantes a um assassinato", afirmou o gabinete presidencial. Um total de 174 passageiros foi resgatado da barca Sewol, que virou depois de sair de Incheon, no noroeste do país, em direção a ilha de Jeju, um popular destino turístico no sul da Coreia do Sul. A embarcação carregava 476 pessoas – incluindo 339 adolescentes e professores em uma viagem escolar. Muitas ficaram presas no interior enquanto a balsa adernava. As investigações estão agora concentradas em descobrir o que causou o acidente. Autoridades acreditam que a balsa possa ter feito uma curva acentuada antes de começar a naufragar, o que a teria desestabilizado. Além disso, eles tentam entender se um aviso de evacuação poderia ter salvado vidas. Detalhes dos momentos de pânico e da indecisão do capitão começaram a ser conhecidos no domingo, quando a guarda-costeira divulgou uma transcrição das últimas comunicações entre a tripulação e os controladores em solo. Na conversa, um integrante da tripulação questiona repetidamente as autoridades em solo se havia balsas disponíveis para resgatar passageiros caso uma ordem de evacuação fosse dada. O capitão, Lee Joon-seok, afirmou que decidiu postergar a decisão por medo de que os passageiros pudessem ser levados pela forte correnteza. Lee, de 69 anos, não estava no comando da embarcação quando a balsa começou a adernar. O leme era conduzido por um terceiro oficial que nunca havia navegado sobre as águas em que o acidente ocorreu, informaram investigadores. O capitão e outros dois integrantes da tripulação foram acusados de negligência e violação de lei marítima. Quatro outros membros teriam sido detidos na última segunda-feira em meio a acusações de que eles teriam falhado em proteger os passageiros. Há alguns anos, um vídeo promocional foi protagonizado por Lee exaltando a segurança do trajeto. Nele, passageiros apareciam seguindo as instruções da tripulação. Durante o último fim de semana, familiares das vítimas entraram em confronto com a polícia, após o grupo ter iniciado uma marcha de protesto. Os parentes dos passageiros vêm pressionando as autoridades para obter mais informações sobre o que de fato aconteceu com a embarcação e como estão sendo realizados os trabalhos de resgate das vítimas.    

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