Até as conversas pessoais viram prova

iG Minas Gerais |

A cada número de telefone vigiado, um volume incalculável de ligações é armazenado – afinal, o Guardião capta todas as chamadas efetuadas e recebidas – e os policiais têm que ouvir minuto a minuto de cada uma delas. Segundo o agente da Polícia Federal Christian Guimarães, apenas 5% deste total, em média, é utilizado como prova e descrito nos relatórios finais dos inquéritos.

Mas, segundo ele, pelo menos outros 40% são extremamente importantes para a conclusão dos trabalhos. O agente explica que mesmo as conversas de cunho pessoal e, aparentemente, sem relevância podem produzir provas ou indícios relevantes para a operação.

É a partir dessas ligações que a polícia constrói o perfil dos seus investigados, como o restaurante que eles frequentam ou se compraram algum bem, por exemplo. Os detalhes podem revelar gastos e extravagâncias que apontam enriquecimento ilícito e fraudes.

“Esses 40% a polícia usa para mapear os investigados. São informações como onde ele mora, a sua conta bancária, o carro que usa. Isso tudo não vai para o relatório final. É preciso saber disso para juntar várias peças do quebra-cabeça”, afirma Guimarães.

O agente conta que, ao longo de milhares de horas, além de ouvir detalhes do mundo do crime, há situações constrangedoras. “Ouvimos também brigas de família, traições. Também já descobrimos que um suspeito de quadrilha de roubo de veículos abusava dos enteados”, conta. (TT)

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