Esses são os (as) caras

iG Minas Gerais |

Ninguém responsável e com capacidade de crítica seria capaz de conhecer os dados da negociação da petroleira Passadena, assunto que há mais de um mês se desenrola na Câmara e no Senado, que a imprensa reproduz e a sociedade assiste, sem sentir o desejo justo de que fosse metido no fundo da cadeia todo o Conselho da Petrobras, sua diretoria, os intermediários da negociação, enfim, o bando bem formado para desviar recursos da maior estatal brasileira e, assim, comprar a sucata que já representava no conceito mundial do setor aquela refinaria norte-americana. No mínimo, presos em prisão celular, pelo abuso de fazerem dinheiro usando recurso público com tão descarada postura. Sem exceção, inclusive da presidente do Conselho de Administração à época, a hoje presidente da República, Dilma Rousseff. Ela disse de forma diferente a emblemática desculpa de que nunca soube do assunto. Disse que fora enganada por sua assessoria. Que perigo uma pessoa que se deixa enganar tão facilmente ainda assim ter responsabilidades de presidente da República. Se foi por má-fé a orientação e consumação da transação, é absolutamente legítimo que a sociedade pretenda tal ação: a prisão imediata dessa gangue que jogou pela janela US$ 2 bilhões para colocar no ativo da Petrobras um negócio solenemente admitido como péssimo pela atual presidente da estatal, Graça Foster. Péssimo à época da compra e muito pior depois, porque foram omitidas informações que levaram o Conselho a uma decisão agravada pelo tamanho do bonde que se comprou. Agiram como se estivessem comprando um microondas que não tosta ou um sapato ou uma cueca, para agasalhar dólares na eventualidade de uma viagem da família Genoino. Se não foi por má-fé, o que é difícil, mas por incapacidade de avaliação e de gestão, merece o mesmo grupo ser metido na cadeia, com o mesmo rigor, pela irresponsabilidade de se arvorar a tomar tão importante decisão sem as credenciais e qualificação minimamente requeridas para tal. O depoimento prestado por Graça Foster pouco ou nada acrescentou ao juízo já formado por toda nação; serviu para provocar o rebaixamento da cotação na bolsa do preço das ações da petroleira brasileira. O que se espera para se tomar uma decisão mais forte e rigorosa? O que essa CPI, processada nesse Senado e na Câmara, com os senadores e deputados que temos, vai ser capaz de apurar? Os fatos estão todos revelados, Graça Foster, presidente da Petrobras, já admitiu a incapacidade ou irresponsabilidade ou má-fé dos envolvidos naquela transação. O ex-diretor internacional da estatal Nestor Cerveró também admitiu que não fez constar em seu relatório, com o qual recomendava o negócio, o compromisso de que a Petrobras compraria os 50% de propriedade da Astra, o sócio remanescente, se e quando o vendedor quisesse vender sua participação. Grande Cerveró, agradecem aos céus os sócios da Astra pelo exacerbado critério de sua assessoria. Onde está a Bolsa de Valores, que tem a responsabilidade de zelar pelas relações de mercado, pelo direito dos acionistas e investidores em ações? Está surda? E o Tribunal de Contas da União? Não assistiu ao desenrolar dos fatos, amplamente denunciados, aos gritos no Congresso e nas ruas? E a Polícia Federal, que tem ensaiado certa independência nas suas apurações? E o Ministério Público Federal, tão rigoroso como fiscal da lei? É legal tratar o patrimônio público com tanto desleixo? Não foi o MP que levou à sociedade seu inconformismo quando se queria por lei privá-lo de investigar fatos? E os defensores da estatização? Se a Petrobras fosse empresa privada, seria usada como é, por uma minoria que a desidrata todos os dias? Para ser cabide de empregos e de falcatruas como essa ora denunciada? Admitamos: o Estado brasileiro é incompetente, irresponsável, desprovido de condições e qualidade para existir do tamanho que tem no Brasil.

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