Veras leva “Copa” nas costas

Ator e humorista protagoniza comédia que parodia produções nacionais, principalmente “Tropa de Elite”

iG Minas Gerais |

Protagonismo. Marcos Veras tem ritmo de comédia afiado e ótima composição de personagem
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Protagonismo. Marcos Veras tem ritmo de comédia afiado e ótima composição de personagem

SÃO PAULO. Chega a assustar a notícia de que o cinema brasileiro entrou na onda de parodiar seus sucessos de bilheteria, como os norte-americanos fazem em franquias do tipo “Todo Mundo em Pânico”. Mas “Copa de Elite” até que surpreende. Há boas piadas num filme que não esconde suas armas para fisgar o público: um gancho oportunista (a Copa no Brasil), uma referência conhecidíssima (“Tropa de Elite”) e um elenco que mistura bons atores de comédia e convidados famosos de outras mídias, como Anitta. 

Além de fazer rir, o roteiro consegue vingar com uma história bem amarrada: o maior herói do BOP, Jorge Capitão, passa a ser odiado pela população ao resgatar Lionel Messi de um sequestro no Rio, às vésperas da Copa. Execrado ao extremo – se a Argentina ganhar a Copa, a culpa será dele, dizem nas ruas – e suspenso da polícia, ele descobre a existência de um plano para matar o papa argentino que vem ao Brasil assistir ao Mundial.

O enredo conta as agruras dele tentando salvar o pontífice com a ajuda de Bia, uma ex-prostituta dona de sex shop. As referências a outros filmes, além da escancarada a "Tropa de Elite", não ocupam tanto espaço na trama e nem sempre funcionam. Exemplos: as cenas dentro de uma prisão, que lembram mais “TV Pirata” do que “Carandiru”, e a presença grotesca de Alexandre Frota como a mãe de Capitão, alusão nada sutil a Paulo Gustavo em “Minha Mãe É uma Peça”.

Quem leva o filme nas costas é Marcos Veras, ator do Porta dos Fundos e protagonista de stand-up. Seu Jorge Capitão tem entonações de voz divertidas e o ritmo de comédia afiado, numa composição ótima. Ele recebe ajuda de Júlia Rabello, sua colega de Porta dos Fundos, muito à vontade como Bia, construindo sua personagem com muito humor e alguma safadeza.

O nome que provavelmente mais público atrai ao cinema é justamente aquele que põe o filme pra baixo. É o apresentador e comediante Rafinha Bastos, como um ator famoso e megalomaníaco. Ele é tão canastrão quanto o tipo que interpreta, e tamanha superposição de falta de talento para atuar não tem graça, só irrita.

Outro rosto nos cartazes para chamar público é a cantora Anitta. Enquanto Rafinha atrapalha o filme, ela tem poucas falas como uma repórter de TV. Está lá apenas para enfeitar, e enfeita.

Marcos Veras consegue convencer o espectador de que ele não perdeu duas horas no cinema. “Copa de Elite” fica como o início no cinema de um comediante que promete bastante.

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