Por onde o vento levar

Com a benção de Carlinhos Brown, Moinho lança o novo disco, “Éolo”, um passeio pelos ritmos brasileiros

iG Minas Gerais | Lucas Buzatti |

“Éolo”. Novo disco da banda, formada pelas baianas Lan Lan e Emanuelle Araújo, e pelo carioca Toni Costa, mistura samba, xote, baião, reggae. rock, funk e outros gêneros
Ilya Yamasaki
“Éolo”. Novo disco da banda, formada pelas baianas Lan Lan e Emanuelle Araújo, e pelo carioca Toni Costa, mistura samba, xote, baião, reggae. rock, funk e outros gêneros

Na mitologia grega, Éolo é o senhor dos ventos, aquele que ensinou os marinheiros a navegar pela região da ilha de Stromboli, driblando a maré e as correntes marítimas. Em resumo, é a figura responsável pelos movimentos do ar – ora revoltos, ora suaves. Não havia, portanto, um nome simbólico mais pertinente para o novo disco do Moinho.

Majoritariamente autoral, o recém-lançado álbum celebra os dez anos de carreira do trio formado pelas baianas Lan Lan (percussão) e Emanuelle Araújo (voz) e pelo carioca Toni Costa (violão). “Somos um moinho com três hélices, movido pela energia eólica, por um movimento diverso, imprevisível, que traz a leveza e a força também”, compara Lan Lan.

“Éolo” reflete o caldeirão de influências que é o Moinho, com canções que vão do samba ao rock, passando pelo reggae, o xote, o baião e até o funk. “As músicas traduzem nossas diferentes vivências musicais. Cada um traz sua experiência pessoal para o coração da banda. É um som brasileiro, com DNA baiano e carioca muito forte”, explica a percussionista.

É possível entender essa miscigenação musical ao conhecer um pouco da trajetória dos integrantes. Enquanto Lan Lan é uma das percussionistas mais conhecidas do país, revelada após a parceria histórica com Cássia Eller, Emanuelle Araújo rodou os palcos do Brasil e do mundo com a banda Eva. Já Toni Costa, violonista, guitarrista e compositor, possui extensa trajetória musical, tendo trabalhado com ícones como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Moraes Moreira, Sérgio Sampaio e Luiz Melodia.

“Nosso encontro aconteceu no Rio, onde moro há 20 anos. A Manu também veio morar aqui, que é a cidade natal do Toni. E aí nos encontramos e nos completamos espiritual e tecnicamente no Moinho”, conta Lan Lan. Além do intercâmbio entre Rio e Bahia, os três músicos têm outro ponto em comum: a amizade com Carlinhos Brown, padrinho da banda, que assina a produção das canções “Éolo” e “Tu Pira”, do novo trabalho, junto com Lan Lan e Toni.

O reencontro com Brown aconteceu durante uma apresentação do Moinho na casa de shows Lapa 40º, no Rio. “Pedimos para ele fazer uma música com a gente, e ele respondeu: ‘Vamos fazer agora!’. E assim nasceu ‘Éolo’. O cara é uma usina criativa”, afirma Toni Costa.

A vocalista Emanuelle Araújo atribui a participação de Brown à relação verdadeira do artista com a banda. “Ele já era amigo dos três, por caminhos distintos, e virou um grande ‘brother’ da banda”, pontua. Manu, como é apelidada, ressalta que “Éolo” é o resultado da maturidade artística da banda. “Rodamos pelo país todo, vivendo vários encontros e momentos. Estamos mais maduros, e o disco mostra isso. É um reflexo dessa fase. Um álbum coeso, curtinho e certeiro”.

Com nove faixas, “Éolo” é o terceiro disco do Moinho e chega após um hiato de cinco anos, tempo que a banda se dedicou à estrada. Com exceção de “Morrendo de Saudade”, de Tadeu Mathias, todas as composições são de Toni Costa e Lan Lan – sejam os sambas “Indiana” e “Do Tempo do Meu Avô” ou o eletroreggae “Noite Massa”.

Para Toni Costa, o background musical dos integrantes influencia diretamente o processo de composição das canções. “Quando criamos uma letra, já vêm juntos os riffs, a introdução, o groove. E cada música é única, a banda é muito eclética. Nossa experiência no meio musical permite passar por vários gêneros com propriedade. É isso o que sabemos fazer”.

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