Sem Marcio Lacerda, PSB se divide em três correntes em MG

Socialistas precisarão aparar as arestas para chegar ao pleito estadual sem fissuras internas

iG Minas Gerais | Guilherme Reis |

Opção. Marcio Lacerda evita concorrer com os seus apoiadores (Aécio e Pimentel) da primeira eleição
PEDRO SILVEIRA/OTEMPO
Opção. Marcio Lacerda evita concorrer com os seus apoiadores (Aécio e Pimentel) da primeira eleição

A desistência do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), de se candidatar ao governo do Estado fragmentou o PSB. Sem seu principal expoente na disputa, a legenda se dividiu em uma ala que quer retribuir o PSDB por não lançar candidato ao governo em Pernambuco e a ajuda dada a Lacerda na eleição de 2012, apoiando Pimenta da Veiga (PSDB). O outro grupo, ligado à Rede Sustentabilidade, exige um palanque próprio para Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (PSB) com a candidatura do ambientalista Apolo Heringer (PSB).

Mais personalista do que coletivo, ainda existe no PSB um foco de apoio ao PT. O amigo e ex-ministro do ex-presidente Lula Walfrido dos Mares Guia (PSB) trabalhará nos bastidores como articulador da campanha de Fernando Pimentel (PT).

Os membros do PSB próximos ao senador Aécio Neves (PSDB), como o presidente da legenda em Minas, deputado Júlio Delgado, querem pagar o favor tucano em Pernambuco, onde o PSDB deixou o caminho livre para o nome socialista Paulo Câmara, postulante ao posto deixado por Eduardo Campos. Por esse motivo, Delgado considera uma candidatura própria como “atropelo”. “Respeitamos o Apolo, vou conversar com ele também, mas devemos retribuir o apoio do PSDB em Belo Horizonte e em Pernambuco. Minha primeira escolha era Lacerda, mas ele não quis. O melhor é acompanhar o PSDB”, reiterou.

Do outro lado, os membros do PSB, ligados à Rede e capitaneados por José Fernando Aparecido de Oliveira, acreditam que só é possível ter uma candidatura forte no plano nacional se Campos e Marina tiverem um palanque socialista. Para marcar território, o grupo lançou, no começo do mês, a pré-candidatura de Heringer. Além disso, não será fácil fazer os apoiadores do ambientalista recuarem, uma vez que Marina já lhe declarou apoio em uma rede social. “Em Minas, o PT e o PSDB já têm palanque próprio. Precisamos de um também, é lógica, é matemática”, argumentou.

A influência petista no PSB foi limada ao Delgado ser escolhido para comandar o partido, mas a figura mais próxima do PT na legenda permaneceu: Walfrido dos Mares Guia. De acordo com um membro do PSB, Walfrido terá a função de garantir apoio a Pimentel de pessoas que ele levou para o PSB, entre prefeitos e lideranças, e interpretar pesquisas eleitorais, “algo que ele tem muita habilidade”. “Walfrido já foi ministro e vice-governador. Quem não vai abrir as portas para ele?”

Walfrido

Bastidores. Walfrido Mares Guia foi procurado para comentar seu possível papel de articulador para a chapa de Fernando Pimentel, mas não retornou às ligações da reportagem.

“Vejo a questão nacionalizada. Teremos, certamente, o palanque para Pimentel e o palanque para Pimenta. Nós também queremos ter um. Como segundo maior colégio eleitoral do país não vai ter um palanque para Eduardo e Marina?” José Fernando (PSB/Rede)

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