Lições

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Deixo aqui as anotações de uma lição que tomei há algum tempo, para compartilhá-las com quem me presta sua benévola atenção. Homem verdadeiramente sábio é aquele que, além de justo, atribui imenso apreço à verdade e pouquíssimo à vaidade pessoal. Não se desespera na derrota, aceita a adversidade como prova necessária e mantém a humildade quando o sucesso lhe sorri. Sabe que a conquista material gera um esforço constante de preservação enquanto aquela interior é eterna e ninguém poderá tirar. Não perde de vista que, quanto mais sobe na escada das realizações interiores e, também, quando ocorrem nas exteriores, deverá se guardar da empolgação. Consegue controlar os excessos, percebe os detalhes, valoriza o peso de uma pluma, procura analisar o que deu certo e o que poderia dar mais certo com algumas correções. Com o derrotado ele terá compaixão, se absterá de amaldiçoá-lo, pois compreende quanto ele foi útil no equilíbrio da sua existência. Não esquece que perfeição não existe nesta terra e sempre haverá algo menos imperfeito de quanto já conseguiu realizar. Não perde de vista que no universo ele não é o melhor, sempre haverá um superior a ele, mesmo que ainda ninguém se mostre por perto. Esse indivíduo desperto não esquece que a condição deste mundo é frágil e transitória. Haverá sempre um amanhã, pior ou melhor; dependerá dele conseguir ser digno de um avanço. Não confia na sorte, mas na força de caráter e na capacidade de passar pelas adversidades. Não faz estardalhaço, esconde sua alegria, não a expõe aos estultos. Não perde o controle das reações com absolutamente nada deste mundo; sabe que aqui deixará qualquer riqueza ou sucesso, que levará para o espírito apenas o mérito de suas ações. Respeita sobremaneira a amizade e a considera sagrada. Procura estendê-la ao maior número possível de semelhantes. Entretanto, sabe que amizade é coisa raríssima e a verdadeira, quase impossível de se conseguir. Amizade é vista por ele como a relação que transcende o estado de egoísmo; que liga indivíduos não pelo interesse, mas por um sentimento que faz compartilhar o sucesso e o infortúnio do outrem como fosse dele mesmo. O que não há como admitir numa amizade é a falta de lealdade. A exploração mesquinha da amizade, para tirar interesse à custa do amigo, é uma imperdoável traição. É se aproveitar da chave confiada da casa para tirar proveito. Como disse o sábio: “Que Deus me guarde dos amigos (traidores) que dos inimigos eu cuidarei”. Quem se mancha de deslealdade com a palavra dada ao amigo é o pior dos traidores. Quem trai a amizade é um analfabeto moral. Pagará pela covardia, pela relação que humilhou. Outro lado sombrio do homem desleal é que não é capaz de prestar atenção a quem deveria ajudar. Pior para quem está no dever de prestar assistência aos “irmãos” menores e lhes vira as costas, deixando que a miséria os contagie de desesperança. Isso o desleal pagará terrivelmente. Mas não haverá castigo maior a quem sepultou o dever que lhe foi dado de socorrer os “menores”. Quem se locupleta à custa da fome de uma criança nada merece. A melhor atitude para o desleal é se antecipar ao castigo. Devolver o que subtraiu dos “menores”, dos indefesos. De qualquer forma, quem não pratica a lealdade e quem trai a amizade dificilmente terá paz para si. Num momento de vacilo, cairá fatalmente no abismo que cavou para si. O castigo o chama com o canto das sereias, e a ele não resistirá.

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