O novo humor de “Tá no Ar”

Parceria de Adnet com Marcius Melhem é vista como grata surpresa e há quem o compare ao clássico “TV Pirata”

iG Minas Gerais |

Deixando o “policamente correto” de lado, dois primeiros episódios do programa são um sucesso
TV Globo/Divulgação
Deixando o “policamente correto” de lado, dois primeiros episódios do programa são um sucesso

SÃO PAULO. Há duas semanas, a Globo lançou um novo programa de humor, o “Tá no Ar”, criação de Marcelo Adnet e Marcius Melhem. Ao contrário das últimas produções da emissora, a reação foi a melhor possível. Os telespectadores elogiaram o programa em profusão na internet, humoristas o saudaram como “revolucionário’ e, o mais raro, praticamente toda a crítica de TV se rendeu com loas e elogios à criatividade dos quadros e talento coletivo dos atores. 

Parece exagero, mas não é. Nos tempos atuais de formatos copiados, de humor imbecilizante do tipo “Zorra Total” e “Divertics” (para ficar só na mesma Globo), “Tá no Ar” é uma verdadeira lufada de alegria. Surpreendente em se tratando de uma Globo tão popularizada. Isso porque o humorístico usa vários elementos já perdidos na TV e no humor, como a metalinguagem, a autorreferência e, principalmente, o gracejo com a concorrência. Há quantos anos não se via alguém imitando Silvio Santos na Globo? Ou se ouvia uma ironia aberta a um programa da concorrência, como o “Brasil Urgente”? E o segundo episódio foi tão inspirado quanto o primeiro.

Mas nem é só isso. “Tá no Ar” ora tem cara de história em quadrinhos, ora brinca com quadros totalmente nonsense como “Pesca Fatal” (tão idiota e eletrizante que o final foi apoteótico e de morrer de rir), ou “Sexy Indecisa” – uma adaptação besta de “Sex & The City”, há outras boas sacadas originais, como o constante zapping de alguém que estaria assistindo ao próprio programa, ou o guerrilheiro pateta que fica achincalhando a Globo e a mídia.

Logo no primeiro episódio, uma regra de ouro já foi quebrada pelo programa, ao sacanear com o candomblé, com o quadro da galinha pretinha pintadinha, e o rap do cristão – uma das melhores performances do talentoso Adnet na estreia.

Por último, há a questão do ibope. Uma das ideias centrais do programa era que ele ironizasse o vale-tudo das TVs pela aduiência. Bem, nesse quesito o risinho ainda é meio amarelo porque “Tá no Ar” não mexeu nem uma vírgula na audiência que a Globo obtinha antes dele existir.

Pior: enquanto ele marcou 10,7 pontos em suas duas primeiras edições, o seriado “Doce de Mãe” chegava a marcar 13,5 pontos (cada ponto equivale a 65 mil domicílios sintonizados na Grande SP). Teve quem comparou o programa ao extinto “TV Pirata”. Outros viram semelhanças com o velho e bom “Casseta”.

Até quando?. A verdade é que “Tá no Ar” não se parece com nada disso. E aí está sua maior qualidade: é um produto novo e puramente nacional. Nada de formatinho comprado da Fremantle. Nada de reality musical ou “BBB” esteiras. Vida inteligente no próprio planeta Globo. A pergunta que fica é: até quando? Até quando a Globo vai liberar cordinha para esses humoristas “violarem” o código do politicamente correto que foi imposto pela própria casa nas últimas décadas? Até o dia em que uma piada com um eventual patrocinador virar crise diplomática? Então, por enquanto, vale a pena aproveitar e rir.

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