No rastro do óbvio

Com roteiro manjado, Globo aposta na mistura entre tensão e sedução em “O Caçador”, nova série da emissora

iG Minas Gerais | anna bittencourt |

Vingança. Preso injustamente, André vai atrás de justiça como um caçador de recompensas
Globo
Vingança. Preso injustamente, André vai atrás de justiça como um caçador de recompensas

A originalidade de enredo passou longe de “O Caçador”. E isso pôde ser notado logo nas cenas iniciais da série da Globo. protagonizada por Cauã Reymond. Traições, adrenalina e mistérios, que permeiam a história, são o fio condutor de outras produções, tanto em seriados como em filmes. No entanto, a trama batida não desmerece o trabalho escrito pelos autores Fernando Bonassi e Marçal Aquino.

Depois de ser traído pelo próprio pai, interpretado por Jackson Antunes, André, personagem de Cauã, é preso por três anos, acusado de ter vazado uma operação planejada pela divisão anti-sequestro da polícia, onde trabalha. Quando sai da cadeia, ele se vê expulso da Polícia Civil e totalmente desacreditado por seus amigos e familiares. A partir daí, precisa correr atrás de provar sua inocência. Para isso, aceita a oferta de seu ex-chefe, Lopes, personagem de Aílton Graça, para ser um caçador de recompensas.

Fraco em suas últimas aparições na televisão, como na série “Amores Roubados”, Cauã Reymond mostra-se mais sólido na pele do ex-policial. O processo de caracterização, com muitas tatuagens, também dá certa credibilidade ao personagem. De novo na pele de um conquistador, o ator abusa do charme do papel para contracenar com Nanda Costa e Cleo Pires, intérpretes de Marinalva e Kátia. A relação com Kátia, inclusive, é um dos pontos altos de “O Caçador”. Com muita sensualidade e cenas bem “calientes”, a personagem forma um triângulo amoroso com André e seu irmão, Alexandre, interpretado por Alejandro Claveaux. A rivalidade entre os dois rapazes promete ser mais uma boa história no meio do thriller.

A bem-sucedida fórmula de misturar sequências de sexo e nudez com cenas de ação e suspense parece ter ganhado certo espaço na Globo. Ao lado dos autores Fernando Bonassi e Marçal Aquino, José Alvarenga assina a direção geral e forma o trio responsável por “Força-Tarefa”, outra série policial da emissora exibida em 2009. Com uma narrativa cronológica, “O Caçador” priorizou apresentar, com tons de drama, a história do protagonista, para depois desenhar as relações dele com os demais personagens. Apesar do episódio inicial não ter sido de muito impacto, garantiu boa audiência para uma noite de sexta – 16 pontos –, um horário complicado na grade da emissora. É a prova de que, apesar do roteiro conhecido, “O Caçador” conseguiu sair da rota do “mais do mesmo” e empolgar os telespectadores.

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