Fora da trilha

Ator conta que estética lúdica e diferenciada de Luiz Fernando Carvalho foi decisiva na sua escolha de participar

iG Minas Gerais | caroline borges |

Papéis. Rodrigo Lombardi conta que não se importa com o tamanho dos personagens, mas com suas qualidades
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Papéis. Rodrigo Lombardi conta que não se importa com o tamanho dos personagens, mas com suas qualidades

Interpretar mocinhos não é uma novidade na carreira de Rodrigo Lombardi. No entanto, o intérprete do bondoso Pedro Falcão, de “Meu Pedacinho de Chão”, garante que quer ir além do óbvio a cada trabalho. E foi justamente esse “algo a mais” da estética lúdica do diretor Luiz Fernando Carvalho que chamou sua atenção. “Aqui não tem mocinho. Meu papel é o arquétipo do bem. É uma representação da vida. Não lidamos com estereótipos. É um projeto diferente do que estamos acostumados a ver na TV”, valoriza o ator, que sabe onde buscar a versatilidade na carreira. “Tudo de diferente que quero fazer, faço no teatro. Na TV, a gente é escolhido”, ressalta.  

Na adaptação escrita por Benedito Ruy Barbosa, Pedro Falcão é o grande desafeto do coronel Epaminondas, papel interpretado por Osmar Prado. Um entusiasta do desenvolvimento da fictícia Vila Santa Fé, o personagem doou parte de suas terras para a evolução da pequena cidade. Porém, o duelo entre os dois se torna ainda mais acirrado quando Pedro Falcão decide ajudar a criar a primeira escola da região. Apesar de se tratar de um remake da obra original exibida em 1971, Rodrigo acredita que o folhetim carregue características totalmente atuais. “Questões latifundiárias, de educação e de saúde pública formam um paralelo com os dias de hoje. São assuntos para se pensar além”, explica.

Para construir o universo lúdico proposto por Luiz Fernando Carvalho, o ator, junto com boa parte do elenco, enfrentou um intenso processo de preparação antes do início das gravações. Durante esse período, Rodrigo participou de aulas de prosódia, trabalho que tem como objetivo o estudo do ritmo e entonação na pronúncia. Além disso, passou por um laboratório com Tiche Vianna, um dos principais nomes da “commedia dell’arte” no Brasil, estética que permeia boa parte do folhetim. Originário do Grupo Tapa, uma das companhias teatrais mais tradicionais de São Paulo, Rodrigo se considera um privilegiado ao poder mesclar as técnicas do palco com a mecânica da televisão. “É totalmente teatro. Foram oito horas diárias de aula sobre ‘commedia dell’arte’. Todos temos cicatrizes de esforço artístico. Ninguém vai sair desse projeto do mesmo jeito que entrou”, avalia ele, que também recorreu ao universo da música para compor o personagem. “Estudei piano e violino. Tive a chance de voltar a esse mundo que já conhecia. Quis oferecer mais do que me foi pedido”.

Hoje, aos 37 anos, Rodrigo coleciona papéis de destaque e protagonistas na TV, como o virtuoso Raj, de “Caminho das Índias”, e o misterioso Herculano Quintanilha, de “O Astro”. No entanto, o status de galã e os consecutivos protagonismos não deslumbraram os critérios artísticos do ator, que afirma não se importar com o tamanho de seus personagens. “Geralmente, existem os protagonistas e os bons papéis. Dificilmente eles são os mesmos”, aponta.

Perfil

Nome completo: Rodrigo Maranguape Lombardi

Data de nascimento: 15 de outubro de 1976

Local de nascimento: São Paulo (SP)

Signo:  Libra

Último papéis na TV: Théo Garcia de “Salve Jorge” (2012), Herculano Quintanilha de “O Astro” (2011), Mauro Santarém de “Passione” (2010), Raj Ananda de “Caminho das Índias” (2009), Marco Antonio Guerra da série “Guerra e Paz” (2008), Ciro Feijó de “Desejo Proibido” (2007), Tadeu de “Pé na Jaca” (2006)

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