Cadeirante na hora de viajar

Dicas, direitos e descontos para quem possui mobilidade reduzida e pretende vai viajar de avião

iG Minas Gerais | JOÃO PAULO COSTA ESPECIAL PARA O TEMPO |

Viajar de avião a trabalho, por lazer ou, simplesmente, para descansar, pode ser tranquilo para a maioria das pessoas. No entanto, para quem tem mobilidade reduzida, pegar uma voo pode não ser tarefa das mais fáceis.

De acordo com o Viaje Legal, uma publicação do Ministério do Turismo com informações para uma boa viagem, os passeios com pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida exigem uma análise cuidadosa do roteiro, das condições de transporte, dos meios de hospedagem e das opções de lazer. Em todos os casos, o ideal é escolher voos diretos, sem conexões.

“A dica para quem pretende viajar de avião e que tenha dificuldade de locomoção é avisar com antecedência a companhia aérea de que a pessoa precisa de atendimento para entrar e sair do avião, para se acomodar no assento e que, ainda, precisa de atendimento prioritário”, destaca Kênia Cotta, cadeirante, que já viajou de avião algumas vezes.

Segunda ela, o fator negativo para quem tem dificuldade de deslocar-se é falta de acessibilidade em muitas cidades escolhidas para viajar e, ainda, hotéis que não estão prontos e aeroportos pelo Brasil que não se adequaram. “Alguns aeroportos no país ainda não são bem acessíveis. Uma “rampinha” não resolve tudo”, completa.

Resolução.

De acordo com uma resolução da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) de número 280, de 11 de julho de 2013, que versa sobre a acessibilidade de passageiros que necessitam de assistência especial, é obrigatório um cronograma de adaptação dos aeroportos e que cada um deles dever possuir ambulifts (equipamentos utilizados para auxiliar o embarque e desembarque de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida). Outra obrigatoriedade é a que de funcionários das companhias aéreas e dos aeroportos sejam treinados para atender a esse público de forma eficiente.

Descontos. A Anac baixou uma norma, determinando que as empresas aéreas concedam um desconto de 80% na passagem do acompanhante. O desconto não vale para o deficiente. Contudo, muitas pessoas que tem dificuldade de deslocar-se desconhecem essa prerrogativa.

“Seguramente, a maioria das pessoas que tem mobilidade reduzida não conhecem seus direitos. Por isso, acho que a pessoa nessa condição deve buscar conhecer melhor suas garantias e, caso for necessário, fazer reclamações junto aos órgãos competentes em caso de descumprimento da lei, enfatiza Laura Martins, dona do blog “cadeira voadora”.

Banheiros. Outro problema revelado por Laura foi que muitas pessoas que tem dificuldade de se locomover, na hora de viajar de avião, não sabem o que fazer e como proceder quando precisam ir ao banheiro. “O que deve ser feito nesses casos é procurar as atendentes da aeronaves e, pedir que não nos esqueçam no banheiro”, brinca. [NORMAL_A]

Cadeiras. As empresas aéreas, seguindo determinações do Departamento de Aviação Civil, não transportam em suas aeronaves cadeiras elétricas com baterias com líquidos corrosivos.

O turista cadeirante pode levar a cadeira de rodas na viagem, mas precisa informar a companhia sobre as dimensões do equipamento. Caso seja necessário, uma cadeira de rodas poderá ser fornecida gratuitamente no aeroporto até o embarque do passageiro, o que é um direito da pessoa com dificuldade de se locomover .

“Desde que a empresa aérea oferece um serviço, ela deve estar pronta e totalmente adequada para atender às expectativas das pessoas que tem mobilidade reduzida. E se o cadeirante se sentir lesado deve procurar imediatamente o procon mais próximo de sua residência, esclarece a advogada especializada em Direito do Consumidor e Coordenadora do Procon da PBH, Maria Lúcia Scarpelli .

Informe-se me

Há vários sites e blogs na internet que dão dicas e orientações para pessoas com a mobilidade reduzida que vão viajar. Para saber mais: www.cadeiravoadora.blogspot.com.

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