Após prisão de Prisco, PM ensaia ‘operação tartaruga’

Policiais saíram às ruas ontem após ameaça de demissão

iG Minas Gerais |

Soldado. Marco Prisco foi preso sob a justificativa da necessidade de manutenção da ordem pública
RAUL SPINASSé
Soldado. Marco Prisco foi preso sob a justificativa da necessidade de manutenção da ordem pública

Salvador. Policiais militares da Bahia que passaram a madrugada de ontem aquartelados em protesto contra a prisão de Marco Prisco, vereador e líder da greve da categoria, começaram a voltar às ruas ontem. A retomada das funções começou, lentamente, após o início do turno das 7h. Oficiais graduados percorreram quartéis apelando pelo retorno e ameaçando demitir grevistas. A Aspra, associação de praças e bombeiros liderada por Prisco, disse ter feito “esforço imenso” pela retomada das atividades, mas acusou participação do governo Jaques Wagner (PT) na prisão do líder da categoria, o que a gestão nega.

A reportagem apurou, contudo, que PMs ensaiam uma “operação tartaruga” em Salvador. Soldados disseram, pedindo anonimato, que policiais estão voltando ao trabalho apenas por medo de retaliações. No entanto, segundo esses praças, o combinado é que os veículos não transitem nas ruas principais da capital baiana e PMs não atuem de forma ostensiva.

“Vou cumprir as 12 horas do meu turno, mas não vou registrar ocorrência nenhuma. Só viemos para a rua porque o comando ameaçou nos demitir”, afirmou um dos soldados. A ideia era atender apenas os chamados mais urgentes da população e situações de risco que envolvam outros policiais.

Nove soldados ouvidos pela reportagem ontem, em duas unidades da PM em Salvador, se disseram dispostos a retomar a greve, esperando apenas convocação de algum líder da categoria.

Greve dos PMs. A greve da PM baiana se estendeu por cerca de dois dias entre terça e quinta-feira. Foi acompanhada por uma explosão da violência em cidades como Salvador e Feira de Santana, e terminou com governo e grevistas cedendo em concessões e reivindicações.

Habeas Corpus. O desembargador José Amilcar Machado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, decidiu ontem enviar para o Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de habeas corpus do vereador Marco Prisco (PSDB). Para o desembargador, como Prisco foi preso com base na Lei de Segurança Nacional, só o STF pode deliberar sobre o pedido de relaxamento da prisão do policial.

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