Cargos de direção da BR são loteados pelo PTB, PMDB e PT

Diretorias da empresa foram negociadas desde a era Lula

iG Minas Gerais |

Cabide. Sede da Petrobras no Rio de Janeiro
FÁBIO MOTTA/EST. CONTEÚDO - 11.4.2014
Cabide. Sede da Petrobras no Rio de Janeiro

Rio de Janeiro. A Petrobras BR, maior distribuidora de combustíveis do país, é alvo da barganha de partidos políticos. Se na Petrobras a atual gestão comandada por Maria das Graças Foster vem conseguindo defender a estatal do assédio político sobre os cargos de diretoria, sua subsidiária, dona de 7.500 postos de combustíveis, enfrenta uma realidade bem diferente. De acordo com fontes do setor, a diretoria da BR é dividida entre PT, PTB e PMDB. Dos quatro principais dirigentes, dois foram indicados pelo senador Fernando Collor (PTB-AL), presidente que sofreu impeachment em 1992, após um escândalo de corrupção.

Uma fonte próxima ao Planalto explicou que os cargos de diretoria da BR são ocupados por funcionários de carreira do sistema Petrobras, mas apenas após a indicação e o apoio desses partidos políticos.

Desde o fim do mês passado, a BR está com uma das cinco vagas da diretoria em aberto. No último dia 21, Nestor Cerveró foi demitido do cargo de diretor financeiro da BR, após a presidente Dilma Rousseff ter dito que aprovou a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006, quando era presidente do conselho da Petrobras, baseada em um relatório que teria falhas técnicas e jurídicas. O relatório fora apresentado por Cerveró, que ocupava o cargo de diretor internacional da estatal. Agora, a Petrobras já admite que a compra de Pasadena não foi um bom negócio.

A saída de Cerveró da diretoria da área internacional da Petrobras para ocupar a diretoria financeira da BR, em 2008, não foi por conta da polêmica compra de Pasadena, em 2006, mas, sim, resultado de mais um acerto político do governo Lula. Segundo fontes, a saída de Cerveró fez parte das negociações de cargos do governo com o PMDB mineiro, que reivindicava uma diretoria na Petrobras.

Nestor Cerveró estava no cargo de diretor da área internacional da Petrobras desde o governo Lula, tendo sido indicado pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS). Foi substituído na Petrobras pelo engenheiro Jorge Zelada, indicado por líderes do PMDB.

Entenda

Início. A compra da Pasadena é alvo de polêmicas desde junho de 2013, quando o Ministério Público Federal no Rio começou a apurar possíveis infrações na transação comercial.

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