Políticos entram na moda dos selfies em ano eleitoral

A postagem das fotos não tem sido encarada como uma forma ostensiva de fazer campanha

iG Minas Gerais | ISABELLA LACERDA |

Eduardo Campos faz selfie durante inauguração do Parque Urbano da Maxeira, no bairro de Apipucos, no Recife
GUGA MATOS
Eduardo Campos faz selfie durante inauguração do Parque Urbano da Maxeira, no bairro de Apipucos, no Recife

Se nas eleições passadas a novidade era a criação de perfis dos candidatos no Facebook e Twitter para mostrarem detalhes de suas vidas pessoais ao eleitorado, a modernidade da vez são os selfies – autorretratos tirados com o uso de celulares e postados em seguida nas redes sociais.

Desde a polêmica iniciada pela fotografia tirada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao lado da premiê dinamarquesa, Helle Thorning-Schmidt, e do premiê britânico, David Cameron, durante o funeral de Nelson Mandela no ano passado, políticos brasileiros passaram a aderir à moda. E, como vale quase tudo para conseguir votos, no ano eleitoral os selfies mais populares vêm dos próprios pré-candidatos, em especial entre os postulantes ao Planalto.

Não faltam registros da presidente Dilma Rousseff (PT) tirando fotografias em suas agendas – a maioria ao lado de populares. A selfie mais recente da petista é com operários do porto de Suape, em Pernambuco. Em meio a crise envolvendo a Petrobras, ela fez questão de se aproximar dos funcionários da empresa que acompanhavam o evento.

A imagem caiu tanto no gosto popular que ganhou destaque nas redes sociais e também no perfil “Dilma Bolada”, que exalta a presidente na internet. Agora, os autorretratos da presidente são chamados de “Rousselfie”.

Adversário da petista, o senador mineiro e pré-candidato à Presidência, Aécio Neves (PSDB), também aderiu à moda dos selfies. Mas, diferentemente da presidente, ele não restringe suas fotos a eventos públicos. Em diversas ocasiões, o tucano já registrou momentos pessoais e disponibilizou aos seus seguidores na rede. Durante o Carnaval deste ano, por exemplo, Aécio publicou no Instagram uma fotografia sua ao lado da irmã Ângela, que passou recentemente por problemas de saúde.

Os pré-candidatos da terceira chapa formada para disputar neste ano a Presidência da República também têm tentado aproximar seus cotidianos da população. O ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), registrou no Instagram evento do partido em Salvador. Já a ex-senadora e pré-candidata a vice, Marina Silva (PSB), ao estrear nesta semana seu perfil na mesma rede social, postou fotografia tirada por ela própria ao lado do pai, da mãe e familiares.

Análise. Para o consultor político e marqueteiro Hélvio de Avelar, da PUC Minas, os selfies são estratégias que podem atingir de forma mais direta o público adepto da internet, gerando ganhos políticos. E, justamente por terem um ar mais informal, dão à “ação eleitoral” um ar menos profissional. “Os selfies demonstram que o candidato é adepto da tecnologia e, claro, aproxima os políticos dos eleitores, de uma forma menos formal”, argumenta.

Segundo o especialista, dependendo de quem compõe a foto com o político, o impacto pode ser ainda maior. “A Dilma postando selfie no evento da Petrobras, no momento em que há essa série de escândalos, acaba embasando também o discurso dela”, avalia.

Tecnológica

Troca. Nas campanhas eleitorais em que o uso da internet e das redes sociais é cada vez mais comum, é natural, na análise dos especialistas, a substituição dos tradicionais santinhos.

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