Casa completa, mas na beira do esgoto a céu aberto

iG Minas Gerais |

Os indicadores econômicos do Brasil nos últimos anos são incontestáveis quanto a melhora de vida de grande parte da população que estava na pobreza. Porém, será que qualidade de vida é feita só de TV de LED, celular de última geração, eletrodomésticos novos, carro parcelado em 99 prestações, tênis de marca e etc? Você pode estar perguntando: o que isso tem a ver com o esporte? Para responder essa indagação, remeto-o a refletir sobre a situação do Campeonato Brasileiro que começa hoje, tanto o da Série A quanto o da Série B, recheados de liminares graças à gritante e irritante incompetência da CBF, que parece uma casa completa, mas na beira do esgoto a céu aberto, em uma área dominada pelo tráfico, sem asfalto, com lixo na rua e sob risco de inundações e deslizamentos, como a de muitas pessoas que subiram socialmente no Brasil nos últimos tempos, mas que parecem se contentar em ter as coisas para que os outros vejam que elas têm, sem se preocupar com o que realmente importa, saúde, educação, transporte público, segurança e tudo aquilo que faz a qualidade de vida ser verdadeiramente elevada. A entidade que comanda o futebol brasileiro nada em dinheiro, está com uma sede nova, no Rio de Janeiro, que tem tudo de mais moderno, mas não consegue implantar um sistema que evite o fiasco do caso do Figueirense na Série B e o da Portuguesa na Série A, ambos no ano passado. Para quem não está por dentro, na segunda rodada da Série B de 2013, o time de Florianópolis escalou um jogador que tinha contrato em vigor com outro clube e venceu a partida contra o América, somando três pontos. Contudo, a CBF havia publicado no Boletim Informativo Diário (BID) que o atleta em questão tinha condições de jogo pelo Figueira, mas, depois, tirou o nome do jogador do BID sem avisar a agremiação catarinense. O erro absurdo foi assumido pela CBF e o presidente eleito da entidade, Marco Polo Del Nero, chegou a dizer, no dia da eleição, nesta semana, que tal aberração parecia uma “pegadinha” com o Figueirense, afirmando ainda que o arcaico sistema da entidade está errado há 20 anos. Resultado, o Icasa-CE, que ficou na Segunda Divisão por um ponto, atrás do Figueirense, descobriu o fato e entrou na Justiça comum para jogar a Série A. Chegou a conseguir uma liminar, que foi cassada, mas o mérito da questão ainda não foi julgado. Ou seja, o imbróglio não acabou. Isso sem falar no caso da Lusa, um rolo maior ainda, haja vista o que aconteceu ontem em Joinville (SC). O motivo: a CBF não consegue, em 2014, ter um sistema informatizado, ágil e disponível para que todos possam consultar e saber quem pode ou não pode jogar. Episódios como esses me fazem pensar que o caminho que o Brasil parece estar tomando é, no mínimo, desanimador, para não dizer preocupante. As pessoas têm cada vez mais condições de adquirir as coisas, mas não têm inteligência nem discernimento para que tais coisas sejam usadas de maneira a melhorar a vida de todos. Me desculpe a sinceridade, mas estamos perpetuando um país onde a burrice e a incompetência imperam. Bom, mas o que esperar de uma entidade que ficou por anos nas mãos de Ricardo Teixeira, que fez um acordo com a Justiça suíça admitindo ter recebido propina, e está na mãos de José Maria Marin, um dos maiores colaboradores da ditadura militar no país, e que embolsou uma medalha em uma premiação de Copa São Paulo e roubava energia elétrica do vizinho. Mico do Galo. Depois de ter divulgado que Ronaldinho Gaúcho havia renovado contrato, quando o jogador ainda não tinha assinado a renovação – tanto que ficou sem jogar por ainda estar sem o novo vínculo concretizado –, o presidente do Atlético, Alexandre Kalil, se precipitou novamente e pagou um mico internacional. Informou, via Twitter, que o atacante Anelka era do Galo, quando não era.

Estranho. Após o negócio melar, o clube veio a público e disse que tinha “desistido” do francês, mostrando documentos assinados pelos supostos representantes do jogador e uma carta, escrita à mão, supostamente redigida e assinada por Anelka, informando que ele tinha interesse na proposta do Galo, o que não apaga a lambança. Mais uma vez, o Atlético anunciou o que não estava assinado (o contrato). Coisa de amador! 

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