Em respeito aos mineiros

iG Minas Gerais |

Dentro de dois meses começa a campanha eleitoral para a escolha de governadores, deputados estaduais e federais, senadores e presidente da República. É preciso disposição de candidatos e eleitores para fazermos uma discussão de alto nível sobre o Brasil que queremos construir juntos. Nós, do PT de Minas Gerais, estamos ouvindo a população para elaborar um programa de governo que atenda aos anseios das mineiras e dos mineiros. Parte dos nossos adversários, no entanto, em vez de ouvi-los, insiste em tentar impor inverdades. Um episódio recente ilustra a falta de compromisso com uma disputa de alto nível Nos últimos dias, a Cemig tentou enganar os cidadãos ao atribuir ao governo federal a responsabilidade pelo aumento médio de 14,24% da tarifa de energia elétrica. O reajuste afetou 7,7 milhões de unidades consumidoras em 805 municípios mineiros. A se acreditar no que disse a empresa comandada pelo governo do Estado, a Cemig não tem qualquer responsabilidade sobre o aumento e apenas cumpre ordens federais. Numa evidente peça de campanha política, a companhia assume apenas o papel de benfeitora ao assegurar a isenção do pagamento de tarifa para as famílias que consumirem menos de 90 megawatts por mês. É muito justa a isenção – e também é muito bom que o governo de Minas Gerais, normalmente preocupado apenas em garantir a remuneração dos acionistas da Cemig, diga que vai manter o benefício. Somada aos programas de transferência de renda do governo federal, como o Bolsa Família, a isenção traz mais conforto a muitas famílias que acabaram de ter suas casas iluminadas por meio do programa federal Luz para Todos. Mas a verdade é que, não fosse a Aneel, a agência reguladora do governo federal, o aumento da tarifa de energia teria sido o dobro. A Cemig pediu autorização para reajustar a conta de energia paga pelos mineiros em 29,74%. Há 20 dias, a estatal publicou uma nota esclarecendo o percentual de reajuste pedido à Aneel (www.cemig-energia.blogspot.com.br/2014/03/nota-de-esclarecimento_28.html?m=1). Foi a Aneel que limitou o aumento da tarifa residencial a 14,24%, impedindo o exagerado reajuste que a Cemig pleiteava. Aliás, cabe acrescentar que o lucro líquido da empresa ultrapassou os R$ 3 bilhões em 2013. Não se trata de pedir a redução das tarifas da Cemig sem conhecer a realidade da empresa. Seria leviandade. Mas a decisão da Aneel, que atua de forma transparente, deveria ter sido informada sem manipulação política. A comunicação do governo de Minas Gerais precisa ser objetiva e honesta. Foi-se o tempo em que as ditas autoridades tinham a palavra final sobre os destinos dos cidadãos. Há 200 anos, os mineiros se rebelaram contra a coroa portuguesa e deram provas de que são autores de suas vidas. É preciso tratar-nos com respeito e honrar o legado de Tiradentes, a quem homenageamos nesta segunda-feira por pagar com a vida sua luta pela liberdade dos brasileiros.

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