Corpo de Gabo será cremado

Cerimônia será reservada a familiares e amigos íntimos; na segunda-feira, haverá uma homenagem ao escritor

iG Minas Gerais |

Manchetes. A morte do escritor colombiano foi noticiada com destaque em todo o mundo
RICARDO MAZALAN
Manchetes. A morte do escritor colombiano foi noticiada com destaque em todo o mundo

O corpo do escritor colombiano Gabriel García Márquez, morto na quinta-feira na Cidade do México, aos 87 anos, será cremado, informou sua família em um comunicado. “Os restos do escritor serão cremados em privado”, de acordo com nota lida pela diretora do Instituto Nacional de Belas-Artes, María Cristina García, aos jornalistas de plantão na frente da residência do escritor.

María Cristina, que leu o comunicado a pedido da família do escritor, não especificou a data da cremação, nem o destino final dos restos mortais do ganhador do Nobel de Literatura, mas antecipou que, na funerária onde o corpo se encontra, “não serão realizadas honras fúnebres”. Ela lembrou ainda que, na próxima segunda-feira, a partir das 16h (horário local), acontece a homenagem nacional a García Márquez no Palácio de Belas-Artes da capital mexicana. Lá, “o público poderá celebrar seu legado”, afirmou. Acompanhada de Jaime Abello, diretor da Fundação Novo Jornalismo Ibero-americano – criada e presidida por García Márquez –, María Cristina afirmou que esta é a única informação que vai ser divulgada sobre a morte do escritor colombiano.

“A ideia agora é repousar, descansar e recuperar um pouco de tranquilidade”, acrescentou Abello, aconselhando os vários jornalistas que passaram o dia todo na porta da casa a irem descansar.

Interrogado sobre as causas da morte do escritor, Abello disse: “Os médicos o dirão posteriormente, suponho”.

Tanto no México, onde ele viveu nos último 30 anos, quanto na Colômbia, onde nasceu, fãs do escritor fizeram homenagens. Na porta da casa de Gabo, na Cidade do México, foram depositados flores e livros. Admiradores do autor fizeram vigília em frente à casa onde nasceu Gabo, em Aracataca, Norte da Colômbia. Os fãs se reuniram na pequena cidade na madrugada de quinta para sexta-feira, e acenderam velas em homenagem ao escritor.

Imprensa. A morte do escritor colombiano foi repercutida por grande parte da imprensa mundial. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1982, García Márquez fez parte, ao lado do peruano Mario Vargas Llosa, dos argentinos Julio Cortázar e Jorge Luis Borges, do cubano Alejo Carpentier e do mexicano Carlos Fuentes, do movimento literário que ficou conhecido como “boom” latino-americano.

Sua importância para a literatura foi reconhecida por jornais de diversas partes do mundo. O “New York Times”, por exemplo, ressaltou em sua primeira página que ele escrevia “fábulas envolventes sobre o tempo, a memória e o amor”. Outro jornal norte-americano, o “Washington Post” destacou que “o titã literário colombiano fundia mito e realidade”.

Já o espanhol “El País” deu mais de metade de sua capa a García Márquez, chamado de “gênio da literatura universal”. Na mesma linha, o “ABC”, também da Espanha, disse que havia morrido “o narrador universal”, com uma enorme foto do colombiano em sua capa.

No britânico “The Independent”, a manchete também nomeia García Márquez como “gigante literário”, enquanto o italiano “La Repubblica” o chama de “patriarca da literatura”. O português “Público” diz que “morreu o contador de histórias que inventou o realismo mágico”.

Na América Latina, o argentino “El Dia” afirma que o autor “viverá para sempre em seus livros”. Uma imagem descontraída de Gabriel García Márquez mostrando o dedo médio é a capa do mexicano “El Universal”, enquanto seu compatriota “El Mercurio” o chama de “figura-chave no boom latino-americano”.

Fotos grandes do rosto do colombiano ocuparam as primeiras páginas do “La Jornada”, “Excelsior”, “El Sol de México” e “La Prensa” – neste último, a manchete diz apenas “obrigado”.

“Não”

Incontáveis foram as ofertas que chegaram a García Márquez para transformar em cinema sua obra máxima: “Cem Anos de Solidão”. E para todas ele disse “não”.

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