Histórias para boy dormir

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“O Leo escritor e o Leo professor disputam o tempo, mas se dão bem. Tudo é contar histórias”
Ignácio Costa / Divulgação
“O Leo escritor e o Leo professor disputam o tempo, mas se dão bem. Tudo é contar histórias”

Leo “Leonardo” Cunha gosta de humoristas e bem-humorados porque gosta de seus iguais. Leo, ex-colaborador deste Magazine, é irônico, perspicaz, inteligente e talentoso nas artes de conversar e escrever histórias e estórias. Ah! E o Leo dele não tem acento. Seu lema é “distraídos venceremos”. Ao vencedor, as batatas de Leo. Pernilongo chupa e voa.

Leo, você tem quatro diplomas. Pra que “tanto céu, pra que tanto mar”? Três graduações e meia, uma pós, um mestrado e um doutorado. Me sinto bem no ambiente universitário: gosto de pesquisar, ensinar, aprender, trocar ideias. Mas tua praia mesmo é o jornalismo, como professor, e a literatura. O Leo escritor e o Leo professor disputam o tempo, mas se dão bem. Tudo é contar histórias, descobrir e construir personagens. Em especial, a literatura infantojuvenil. Minha mãe tinha uma livraria, a Miguilim. Ali conheci centenas de livros e escritores. Me encantei com a literatura infantil. Quem te seduziu para esta seara? Os próprios livros e os escritores. Conheci figuras geniais como Orígenes Lessa, João Carlos Marinho, Sylvia Orthof, Joel Rufino. “Nossos ídolos ainda são os mesmos”, como Monteiro Lobato? Meus ídolos são todos humoristas e/ou bem humorados: Millôr, Quino, Verissimo, Chico Buarque, Aldir Blanc, Woody Allen, Seinfeld, Buster Keaton... O que achou da censura ou tentativa dela nos livros de Lobato, pela patrulha do politicamente correto? Equivocado. Chamar a Emília de racista é não conhecer ou entender bem a personagem. No Facebook você compartilhou elogios a Hans Christian Andersen. Ele ainda faz o imaginário infantil? Muito. As crianças continuam em contato com Andersen: “Frozen”, que ganhou o Oscar, é adaptado de Andersen. Alguns livros meus são, no fundo, releituras do “Patinho Feio”, como “O Menino que Não Mascava Chicle”, “Em Boca Fechada Não Entra Estrela”, “Uma Aventura no Sonho”. O público é grande e você o satisfaz com quantos livros já publicados e no prelo? Já publiquei cerca de 50 livros, desde 1993. Mais quatro ou cinco já estão no prelo. Fora uns 30 que eu traduzi. Você acaba de voltar da Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha. Como foi a nova experiência, já que não foi a primeira vez? Fui em 95 e agora. É uma feira de negócios, imensa, fascinante e um pouco assustadora. É mais a praia de editores, agentes, representantes. O artista ali tem que sambar pra encontrar as brechas. Se você fosse ministro da Educação qual a primeira medida que tomaria para “salvar a pátria e a lavoura”? Projetos para a valorização dos mediadores de leitura (professores, bibliotecários, contadores de história). Sem profissionais preparados e bem remunerados para a mediação, essa lavoura tem muitas safras prejudicadas. Qual tua palavra favorita na língua portuguesa que você tão bem domina? Picatoste? Hortifrutigranjeiro, e supimpa, e escafandrista, e sonâmbulo.

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