Festival transforma vidas

Comida di Buteco deixa um rastro de sucesso de negócios e de pessoas por onde passa

iG Minas Gerais | Tânia Ramos |

Zito’s Bar tem como carro-chefe a pimentinha recheada, hoje vendida para vários estabelecimentos de Goiás
Zito’s Bar/divulgação
Zito’s Bar tem como carro-chefe a pimentinha recheada, hoje vendida para vários estabelecimentos de Goiás

A adesão ao Comida di Buteco tem se revelado, conforme atestam os participantes, um divisor de águas em seus botecos, que, até então superinformais, atingem hoje novos patamares e público seleto. De um bar em área pacificada no Rio de Janeiro a cinquentenário boteco em São Paulo, incríveis histórias de sucesso vão sendo escritas ao longo de cada edição – são muitos casos de crescimento material, que se entrecruzam com conquistas pessoais.

Conclusão: é no âmbito afetivo que o retorno do festival ganha sua real importância, ao reverter, inclusive, o iminente fechamento do bar, como é o caso do Éguatchê, de Belém. Criado na garagem da casa do pai, o bar, nascido num domingo de Carnaval, já ameaçava sucumbir como “inviável financeiramente”, quando, segundo a proprietária Sandra Azevedo dos Santos, surgiu o convite para integrar o Comida di Buteco.

Novo fôlego

“Foi a nossa tábua de salvação, pois acreditávamos no que fazíamos, mas não tínhamos o retorno desejado. Hoje, nosso faturamento triplicou, ganhamos o reconhecimento e o respeito de nossos clientes. Fomos indicados pela revista ‘Veja’, que era um dos nossos sonhos, e a nossa receita foi publicada na revista da Abrasel, uma recompensa para o nosso trabalho”, conclui Sandra.

No bar Berinjela, que completa 50 anos agora – data de 1964 –, o sucesso tardou, mas não falhou. A partir de 2012, quando o festival chegou à capital paulista, os donos José Manuel Gomes Leitão e Débora Regina Santarelli Leitão deram adeus ao até então movimento fraco. Hoje, não temos nem como mensurar o aumento, pois vêm pessoas de todos os cantos de São Paulo e do país todo para conhecer o nosso petisco”, comemora o casal.

Com 45 anos, o bar Dona Celina, em Ribeirão Preto (SP), é outro onde o sucesso também chegou com o festival. “Tínhamos nossa clientela, mas era com uma estrutura pequena. Graças ao Comida di Buteco, tivemos que crescer junto com nosso movimento, incluindo infraestrutura e novas contratações”, destaca Celina Moreno dos Santos.

 

EXPERIÊNCIAS BEM-SUCEDIDAS NO PAÍS

Pimentinha recheada

Goiânia: O Zito’s Bar, de Aparecida de Goiânia (GO), na região metropolitana da capital goiana, está no mercado há 19 anos, mas, só depois de aderir ao festival, em 2008, o bar ganhou contornos de negócio, pois seus proprietários, Antônio Marmo (Zito) e a esposa, Leila (que nada conheciam de gestão de bar) passaram por treinamentos no Sebrae Goiás. Segundo Zito, com a participação no concurso, a realidade da família mudou da água para o vinho – inclusive os filhos passaram a ajudar no empreendimento. O Zito, que sempre foi inovador, criou a pimentinha recheada, que, apesar de não ter ganhado o Comida di Buteco, é hoje um petisco tipo exportação – além de vender 12 mil porções por mês no boteco, é comercializada para bares, restaurantes e botecos de Goiânia e até de outros municípios do Estado.

Para melhor

Fortaleza: Há 20 anos, o proprietário do bar O Camocim, Romildo Sousa, vinha pelejando para manter o empreendimento. Mas, depois da primeira edição do Comida di Buteco, “mudamos bastante e para melhor. Hoje, tenho uma visão melhor de investimentos e, por isso, sou grato ao pessoal do festival, pois tivemos bons resultados nas nossas vendas. O espaço é pequeno, porém, já construímos o banheiro fora do bar para atender os clientes, além de termos ampliado a cozinha, que antes era colada ao banheiro. Temos também duas salas novas para atendimento e dois garçons que, junto comigo, atendem os clientes. Agora, estou planejando melhorar o balcão e dar uma geral na pintura do bar”, antecipa Romildo.

Iguarias exóticas

Salvador: Localizado na Boca do Rio, A Venda Bar e Restaurante teve início em 1994, quando, a pedido de amigos, dona Neide passou a comercializar em sua mercearia a receita que, há 20 anos, conquista paladares: a maniçoba. O sucesso foi tanto que ela fechou a mercearia e abriu um pequeno bar, onde, além da maniçoba, serve carne de fumeiro e outras iguarias. Em 2008, o A Venda participou com seu carro-chefe, pela primeira vez, do Comida di Buteco. De lá para cá, o bar ganhou notoriedade, novos clientes e teve seu espaço ampliado e o número de funcionários elevado de cinco para 17. Em 2013, dona Neide participou do Sarau Du Brown e de ensaios da Timbalada.

Bar premiado

Rio de Janeiro: O Bar do David – Chapéu -, situado num pacificado morro carioca, é um exemplo de que “a gastronomia das favelas é muito forte, mas, antes da pacificação, não havia reconhecimento, pois as pessoas tinham medo de subir o morro. Com a premiação no Comida di Buteco (terceiro lugar em 2011, campeão do Desafio Doritos e, em 2012, como vice-campeão), o bar ficou muito famoso. Foi o primeiro bar de comunidade pacificada a participar de um concurso desse porte. O Comida di Buteco contribuiu não só para o Bar do David, mas deu visibilidade a um morro pacificado. O festival trouxe um número grande de novos clientes e reconhecimento”, disse. “Consegui aumentar a estrutura do meu bar e até contratar mão de obra registrada. Enfim, depois do festival captamos novo público”, celebra David.

Aumento de 500% nas vendas

Campinas: Em 1983, o Carioca, que saiu de Conceição de Macabu para tentar a vida em Campinas, comprou o atual bar de apenas uma portinha com algumas mesas na varanda. Mas só em 2010, quase 30 anos depois, ao ser o campeão da primeira edição do festival em Campinas e ganhar o Desafio Doritos é que o bar deslanchou. “Sempre ficamos nas primeiras posições, e o público chega cedo na disputa das mesas. Tínhamos só um funcionário registrado, mas, após o festival, passamos para nove (sem contar o terceiro filho, que pediu as contas para ajudar os pais e os irmãos). Tivemos um aumento de 500% nas vendas, o que nos levou a ampliar o bar para 50 mesas e alugar a casa ao lado para depósito de mesas e de bebidas. Temos um público cativo desde o começo, mas ganhamos novos clientes das classes A e B. Os clientes antigos não foram desprezados, e os novos foram bem-recebidos”, conclui Carioca.

Ex-garçom realiza sonho de negócio próprio

Rio Preto: Ousado, o ex-garçom Gonçalo Teixeira de Camargo, o Magrão, vendeu carro e até TV para realizar o sonho de ter o próprio negócio, surgindo, assim, o Bar do Magrão, com “atendimento bem-humorado e eficiente”. Contudo, o sucesso só veio 11 anos depois, ao participar, em 2011, da segunda edição do Comida di Buteco na cidade. “O concurso alavancou o bar. Os petiscos criados para o festival chamaram mais e mais clientes, e as coisas começaram a fluir. Foi tudo muito rápido. Muita gente veio conhecer o bar, e comecei a me desdobrar para atender todos. Foi maravilhoso”, explica Magrão, que garantiu uma vaga para a edição seguinte. Enquanto os clientes começavam a transformar o empreendimento em um ponto de encontro, Magrão aprimorou seu trabalho e, de apenas quatro mesas no começo, o bar tem hoje 40 mesas e possui 22 opções de petiscos e espetinhos no cardápio. Ou seja, o sonho se tornou realidade, e Magrão conquistou a casa própria e uma caminhonete zero-quilômetro. 

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