Sem vaga fixa na hemodiálise, usuários ficam internados

Filha de paciente reclama que mãe não conseguiu liberação para sair da unidade de saúde nem para o aniversário

iG Minas Gerais | Flávia Jardim |

Jeanne da Silva está internada há mais de dois meses para conseguir tratamento
Moisés Silva
Jeanne da Silva está internada há mais de dois meses para conseguir tratamento

Pacientes renais crônicos que precisam fazer hemodiálise, em Betim, região metropolitana, estão com dificuldades para conseguir vaga fixa para fazer o tratamento. Em função disso, muitos usuários têm que ficar internados no Hospital Regional sem necessidade, enquanto aguardam o surgimento de uma vaga que permita que eles recebam o atendimento necessário, mas possam voltar para a casa.

Esse é o caso d a dona de casa Jeanne Maria da Silva, 41, que está internada há mais de dois meses no hospital para conseguir tratamento de hemodiálise. Sua filha, a cabeleireira Celiane Prado, disse que Jeanne não conseguiu liberação do hospital nem durante o aniversário dela, que aconteceu no último dia 15.

“Minha mãe poderia passar o aniversário em casa, mas o hospital não a liberou porque disse que não poderia assumir essa responsabilidade. Está muito difícil porque ela poderia estar indo ao hospital fazer o tratamento e depois voltar para a casa. Mas, como ela não consegue essa vaga fixa, tem que ficar internada. Quando ela recebeu a notícia que não iria poder passar o aniversário em casa, ela ficou muito triste. Ela queria apenas sair no domingo, almoçar com a gente e, na segunda, voltar para a unidade”, contou.

Celiane ainda disse que a sua mãe está correndo riscos, já que muitos pacientes que têm que ficar internados aguardando vaga na hemodiálise adquiriram infecção.

Além disso, segundo ela, existe uma ala do setor da diálise com vários equipamentos que poderiam estar sendo utilizada para aumentar o número de pacientes fixos, mas que está parada porque não teria sido feita a instalação elétrica. “A sala tem várias máquinas e ajudaria a aumentar o número de usuários fixos do setor, mas eles alegam que falta a instalação elétrica. Como pode um hospital daquele porte, ficar com tantas máquinas paradas, enquanto existem usuários, como a minha mãe, precisando?”.

Resposta

A assessoria da prefeitura informou que, conforme a Resolução Técnica Integrada 154 – que estipula regras e métodos para a hemodiálise no país –, quando não há “vaga fixa”, o paciente, para receber o tratamento, precisa ficar hospitalizado e, consequentemente, demanda um leito. A assessoria destacou ainda que a internação é necessária, visto que há necessidade de acompanhamento médico até que haja a vaga, e que, atualmente, 20 pacientes aguardam disponibilidade para tratamento em Betim.

Ainda segundo a gerência do hospital, está sendo feito uma pactuação entre os municípios vizinhos para conseguir vagas fixas em outros centros de hemodiálise e desospitalizar pelo menos dez pacientes.

A assessoria frisou que existe um déficit de vagas para hemodiálise em toda a região macrocentro do Estado.

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