Bubble Tea dos gringos e a versão belo-horizontina

iG Minas Gerais |

Hélvio
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Ainda tenho registros para vários artigos sobre a última temporada europeia e pretendo aproveitá-los em outras edições, com o propósito de auxiliar quem planeja viagem para o Velho Mundo. De agora em diante vou mesclá-los a novas matérias sobre o que possa conhecer ou revisitar no Brasil. Afinal de contas, a coluna precisava em algum momento retornar a seu foco geográfico prioritário. E dei-me conta de que há meses trato de restaurantes, culinárias e realidade estrangeira, sem beirar a metade das anotações e lembranças recolhidos em dois meses entre Londres e o Mediterrâneo. De volta ao Brasil, fui conferir o Bubble Tea que a equipe do jornal me disse ter chegado a BH. Um dos endereços da novidade de Taiwan, experimentada em Madri, descrita em um artigo de meses atrás, é a praça de alimentação do Pátio Savassi. Achei que encontraria algum quiosque exclusivamente voltado para a interessante mistura de chá verde ou preto, mais leite, café, chocolate ou frutas, salpicados de gelly e de bolinhas saborizadas que explodem na boca quando sugadas pelo canudo, mais grosso que o habitual. Que nada! A opção ficou apagada em meio a desenhos e informações sobre o frozen, já incluído no cardápio da galerinha mais rica e dietética e tema original da IS. Antes o Bubble Tea não tivesse chegado entre nós da maneira como chegou, aguado e insípido, com muito menos possibilidades de combinação e com uma quantidade de toppings menor que a utilizada na Europa. E os preços estão à altura dos de lá, certamente. Depois tentamos apagar as mágoas no Rokkon que havia no Pátio, em um cantinho só dele, charmoso, sossegado. Mas cadê ele? Fechou. Em meio ao buxixo tem o Tokai, mas o padrão é outro, convenhamos. Aí veio a melhor ideia da noite. Conhecer o Kabuto da Pium-í, que há tempos eu planejava visitar. Atesto que não perde em qualidade na comparação com o que fechou as portas, na estrada de Nova Lima, para tristeza minha e dos moradores da região, que viam nele alternativa elegante, com vista deslumbrante pra mata do Jambreiro e comida japonesa de qualidade. Esse item permanece inalterado e o ambiente da nova casa é pequeno, mas confortável e acolhedor. O atendimento segue eficiente, embora pelas mãos de uma equipe da Capital. Dois jovens garçons da equipe de Nova Lima deixarão saudades. Conheço Lygia Imanishi e seu pai, proprietários, e faço votos de sucesso na nova empreitada. Entendo e lamento as razões de mercado que conduziram ao fechamento da casa espaçosa. Ela dará lugar a mais lojas no shopping, já nem tão pequeno, que surgirá às margens da rodovia. Pena que agora minhas visitas serão mais raras, divididas com uma concorrência que oferece algumas opções à altura, como o próprio Rokkon, o Hokkaido, o Udon e, principalmente, o campeão Sushinaka. E no peito ficará mais uma vez aquela sensação esquisita, experimentada de tempos em tempos, um Café Ideal aqui, um Solar dos Rosas ali... Mais um bom treino para o desapego, quem sabe?

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