Assessor da Previdência pede demissão depois de denúncia

MO Consultoria, ligada ao doleiro Alberto Youssef, repassou R$ 20 mil ao funcionário em 2011

iG Minas Gerais |

Foco. O doleiro Alberto Youssef é investigado por lavagem de dinheiro e ligação com empresas de fachadas na operação Lava Jato
JOEDSON ALVES/E. CONTEÚDO -18.10.2005
Foco. O doleiro Alberto Youssef é investigado por lavagem de dinheiro e ligação com empresas de fachadas na operação Lava Jato

Brasília. O assessor do Ministério da Previdência que recebeu dinheiro de uma empresa de fachada investigada pela Polícia Federal na operação Lava Jato pediu demissão nessa quinta.  

A MO Consultoria, ligada ao doleiro Alberto Youssef, repassou R$ 20 mil a José Wilde de Oliveira Cabral em 31 de março de 2011. A quebra de sigilo autorizada pela Justiça indica que o dinheiro foi transferido para a conta do assessor do ministro Garibaldi Alves com a identificação “pagamento de fornecedores”. José Wilde nega qualquer irregularidade e diz que se afasta do cargo para se defender.

A confissão de que a empresa não tem atividade de fato foi feita por um empregado do doleiro, Waldomiro de Oliveira, em nome de quem a MO Consultoria está registrada na Junta Comercial de São Paulo. O jornal “Folha de S.Paulo” teve acesso ao depoimento do funcionário, que decidiu colaborar com a PF na tentativa de receber uma pena menor.

Entre 2009 e 2013, a MO movimentou R$ 89,7 milhões. A polícia suspeita que a empresa era usada para repassar propina a funcionários públicos e políticos. Os contratos da suposta consultoria seriam uma forma de as empresas darem uma aparência legal a subornos, segundo suspeita da PF.

Essa mesma empresa recebeu R$ 34,7 milhões de nove fornecedoras da Petrobras – que também é um dos alvos da investigação da PF.

Por meio de nota, José Wilde afirma que nunca teve “qualquer relação profissional” com a MO. “Pelo valor divulgado do pagamento feito a mim, é razoável supor que se trata de remuneração por serviço de assessoria de imprensa que prestei em 2010, com pagamento efetuado no primeiro semestre de 2011”, esclareceu, sem revelar para quem prestou assessoria, alegando cláusula de confidencialidade.

O assessor diz ainda que prestou serviços lícitos e que não tinha obrigação de pesquisar a origem dos recursos que lhe foram repassados de forma lícita. Ele rechaçou qualquer relação com as empresas e pessoas investigadas PF na operação Lava Jato.

Operação. Foram indiciadas 46 pessoas por suspeita de participarem de esquema que movimentou R$ 10 bilhões de forma suspeita e novas investigações foram abertas para apurar, principalmente, a relação de servidores públicos federais e crimes de licitação com empresas usadas pelo esquema, investigado na Lava Jato.

Depósitos para parentes Recife. E-mails interceptados pela Polícia Federal na operação Lava Jato indicam que o ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco (Codevasf), Clementino de Souza Coelho, irmão do ex-ministro Fernando Bezerra Coelho, pediu ao doleiro Alberto Youssef que fizesse depósitos em contas de dois familiares: João Clementino de Souza Coelho e Maria Cristina Navarro de Brito, filho e mulher do ex-presidente da Codevasf.

 

Detalhe

Carta. No pedido de demissão, José Wilde diz que: “Causa-me justa indignação qualquer insinuação da mais remota ligação minha com pessoas ou empresas envolvidas em negócios escusos”.

Entenda

Simultâneos. O escândalo da compra da refinaria de Pasadena, no Texas, pela Petrobras, que teria gerado um prejuízo bilionário, estourou ao mesmo tempo em que acontecia a operação Lava Jato.

Investigação. A operação Lava Jato tem com o alvo o doleiro Alberto Yousseff, que teria comandado uma rede para lavagem de dinheiro e pagamento de subornos a políticos e servidores

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