O jogo entre os artistas e a rua em pleno parque

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Trupe Irmãos Atadas aposta no viés cômico dos faroestes italianos
Heberton Lopes / Divulgação
Trupe Irmãos Atadas aposta no viés cômico dos faroestes italianos

Há algo de inesperado no teatro feito na rua que move os artistas que se dedicam a se apresentar nela. Ainda que um espetáculo seja planejado, escrito e ensaiado, quando atores encontram, na rua, seu público, sem a barreira imposta pela disposição plateia x palco, há o fator inusitado que pode alterar todo o jogo cênico previamente proposto. Quem for, neste final de semana, ao parque das Mangabeiras, poderá conferir o encontro de dois espetáculos com os espectadores. “Mais Alto que a Lua”, do Teatro da Figura, de Belo Horizonte, se apresenta no sábado. Já os paulistas da Trupe Irmãos Atadas trazem “Bang Bang à Pastelana”, no domingo.

“Nosso trabalho é um percurso de uma família pela cidade. No meio dele, as crianças brincam com um sofá, a dona de casa empurra seu carrinho de supermercado, o vovô tenta atravessar a rua em seu próprio ritmo e o Marcovaldo se sensibiliza com todos os elementos naturais que estão a sua volta”, explica Andréia Duarte, uma das atrizes da peça “Mais Alto que a Lua”. Esse último personagem citado por ela vem do livro “Marcovaldo ou As Estações da Cidade”, do italiano Ítalo Calvino, obra que serviu de inspiração para a livre criação do espetáculo que a trupe apresenta.

“Não se trata de uma adaptação da obra de Calvino. Esse livro é nossa grande motivação poética. O Calvino lança um olhar sobre a cidade: cinza, cheia de indústrias e com a natureza fragilizada, cada vez menos presente. E o Marcovaldo vive com sua família na periferia dessa metrópole, como Belo Horizonte, e não perde esse olhar mais sensível em relação à natureza”, destaca a atriz.

Com direção de Juliana Pautilla, “Mais Alto que a Lua” é um espetáculo resultante do projeto Pé na Rua, capitaneado pelo Galpão Cine Horto, de 2011. Ele passou a integrar a repertório do Teatro da Figura e já foi apresentado por diversas praças de Belo Horizonte, festivais de inverno no interior do Estado, dentre outros espaços e eventos.

BANG BANG DE PALHAÇOS. Há qualquer coisa de humor em alguns bangue-bangues, o que levou a Trupe Irmãos Atadas a pesquisar sua comicidade e levar seus palhaços para a rua. O grupo se inspira em clássicos como “O Bom, o Mau e o Feio”, de Sérgio Leone, mas a narrativa é muito parecida com outro clássico do gênero. “Nossa inspiração é um filme chamado ‘Los Tres Amigos’, em que uma trupe de artistas é confundida com três heróis”, destaca Émerson Almeida, um dos integrantes do grupo. No entanto, ao contrário da trama original, os três amigos são confundidos com três criminosos na peça.

Além de inspirações italianas, o jogo que a rua permite aos artistas que se arriscam a encarar o público “de perto” também se repete entre os espetáculos deste fim de semana. “Nunca sabemos o que vamos encontrar. A rua é muito democrática, todas as classes sociais podem estar ali. Já apresentamos esse espetáculo para gente que nunca foi ao teatro. Conversei com um senhor de mais de 70 anos, emocionado, que nunca tinha visto uma peça. A rua proporciona isso”, relembra Almeida.

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