CeasaMinas ignora ordem da presidente e assina concessão

O ministro Gilberto Carvalho divulgou a ordem para que o edital fosse revisto de modo a garantir a permanência das cerca de 4.000 pessoas da ocupação

iG Minas Gerais |


Sem modificações.

 Expansão da Ceasa deve acontecer em terreno ocupado por cerca de 4.000 pessoas
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Sem modificações. Expansão da Ceasa deve acontecer em terreno ocupado por cerca de 4.000 pessoas

A direção das Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (CeasaMinas) ignorou a recomendação da presidente Dilma Rousseff e assinou na segunda-feira (14) o contrato de concessão de uso da área onde deve ser realizada a expansão da Ceasa – o terreno pertence ao governo federal. Na semana passada, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, divulgou a ordem da presidente para que o edital fosse revisto de modo a garantir a permanência das cerca de 4.000 pessoas da ocupação William Rosa – o terreno fica no bairro Kennedy.

A empresa Via Magna Construções e Empreendimentos pagou R$ 44 milhões pelo uso da área. De acordo com a assessoria da CeasaMinas, ela ainda não apresentou o projeto da obra, mas já há previsão da construção de uma pequena central de energia e de um viaduto ligando os dois terrenos, passando por cima da BR–040.

Entenda o caso

A primeira sinalização da presidente em prol da ocupação aconteceu em visita oficial na segunda-feira da semana passada. Na ocasião, ela se reuniu com representantes da William Rosa e recomendou modificações no edital. O texto atual não cita a ocupação, apenas se limita a recomendar que qualquer intervenção no terreno seja de responsabilidade da empresa contratada. Em visita à capital mineira na última quinta-feira, Gilberto Carvalho anunciou a decisão da presidente de suspender ou cancelar a concessão.

No sábado, o presidente da CeasaMinas, Gamaliel Herval, afirmou que não estava prevista a revisão do documento e, de fato, a licitação foi cumprida na manhã dessa segunda. As centrais, subordinadas ao governo estadual, voltaram a informar nessa segunda, por meio de sua assessoria de imprensa, que a partir de agora a área da ocupação é responsabilidade da Via Magna. A empresa foi procurada e, sobre a ocupação, disse que está “estudando o terreno para iniciar as intervenções”.

Já a Prefeitura de Contagem alega que está acompanhando a ocupação e reitera que ela é de responsabilidade dos governos estadual e federal. A prefeitura ainda disse que continua cadastrando as famílias aptas a participar dos programas sociais do município.

A Via Magna, empresa que realizará a expansão da Ceasa Minas, já apresentou projetos para construir uma miniestação de energia no terreno e um viaduto sobre a BR–040.

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