Bate Debate 17/04/2014

iG Minas Gerais |

Há duas semanas passei por uma situação, no mínimo, embaraçosa. Ao sair para buscar meus filhos na escola, jamais poderia imaginar o que me aguardava. Como de costume, parei o carro para esperá-los e, para minha surpresa, uma das minhas filhas veio chorando em minha direção, com o nariz sangrando bastante. Como qualquer mãe, saí do carro desesperada, perguntando o que havia acontecido. Pois bem: um coleguinha de classe havia dado um soco nela. O mesmo que, junto com sua turminha, vem fazendo chacota com ela há mais de um ano. Naquele momento senti um frio na espinha e fui atrás de um professor ou de qualquer funcionário da escola, em busca de alguma explicação. Ao contatar uma professora, ela me disse que já havia resolvido a situação: o nome do garoto foi para o diário da escola. Estarrecida, pedi para conversar com o tal garotinho e, acreditem, quando fui falar com o garoto fiquei ainda mais chocada. O guri nem sequer me olhou nos olhos, fingiu que não estava me ouvindo e, com uma cara de quem sabe que não vai ser punido, simplesmente me ignorou. Minha revolta ficou ainda maior. Como assim um menino agride minha filha, finge que nada aconteceu e a escola simplesmente coloca o nome dele em um diário? Fui embora nervosa. Mais tarde, meu marido voltou à escola, conversou com um dos donos e ouviu ainda que eu tinha me excedido ao ir conversar com o menino, já que aquela era uma questão entre crianças. Em vez de amenizar o caso, as palavras desse senhor serviram apenas para me chatear e me revoltar ainda mais. Justo em um período em que o próprio governo e a sociedade em si lutam para combater o bullying com diversas campanhas, como uma escola particular pode considerar uma violência dessas apenas “um problema entre crianças”? Colocar o nome dele em um diário vai mudar o quê? A sensação que tenho é que, ao invés de progredirmos, estamos retrocedendo. Na minha época de escola, há mais de 15 anos, uma situação dessas seria motivo para, no mínimo, reunir os pais, dar uma suspensão ao agressor e aplicar um trabalho educativo sobre o tema. Alguns podem pensar que é exagero da minha parte, mas se analisarmos bem é na infância que se formam o caráter e a personalidade do ser humano. Não punir e não educar um garoto quanto à violência – não só contra a mulher, mas contra o próximo – é algo inaceitável, uma vez que, assim, estaremos contribuindo para que ele cresça sem noção de limites e respeito. Aceitar esse fato apenas como divergências entre crianças é reforçar a postura e a personalidade violenta e machista desse garoto. Por fim, na semana passada, tentei contato com a diretoria da escola, mas não obtive sucesso. Dois dias depois minha filha chegou em casa dizendo que haviam conversado com ela e chamado os pais do colega de classe. Pediram que caso voltem a importuná-la é para ela ir direto à professora. Ou seja, tudo na base da conversa e mais nada. Minha indignação não diminui com essa postura, e a única coisa que posso afirmar é que a rematrícula dos meus três filhos, provavelmente, não será realizada nessa escola. Antes uma atitude radical agora do que minha filha sofrendo com as brincadeiras de péssimo gosto dos coleguinhas e o descaso do local que, teoricamente, deveria auxiliar em sua educação e formação.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave