Férias de Regina passam de 17 para 30 dias sem justificativa

Depois de ficar apenas três semanas na Semas, chefe da pasta prolonga férias; outro apostilado, o secretário Wagner Lara diz que a prorrogação de 13 dias foi um ‘equívoco’

iG Minas Gerais | Da Redação |

Regina, após três semanas, deixou secretaria para viajar
NELSON BATISTA/ARQUIVO
Regina, após três semanas, deixou secretaria para viajar

Nomeada no lugar do interventor Gilmar Mascarenhas, que reestruturava a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), devastada pelas denúncias de corrupção e desvio de recursos em contratos com ONG na época em que a pasta era administrada pelo ex-secretário Léo Contador, a servidora apostilada Regina Rezende, detentora de um dos supersalários da prefeitura, continua de férias e deve permanecer assim até o início de maio.

Nas primeiras três semanas de março, quando esteve à frente da Semas, trabalho de Regina se limitou a demitir técnicos que tinham sido recrutados no período em que o vice-prefeito Waldir Teixeira (PV) ocupava a cadeira de Carlaile (PSDB), durante licença médica.

A Semas, que foi submetida a auditoria durante a gestão de Mascarenhas, teve um enxugamento na época de 28 cargos dos 54 existentes na secretaria gerenciada por Léo Contador (DEM), e o recrutamento de 26 servidores com perfil técnico que pudessem corrigir o caos existente na pasta.

Mas Regina assumiu a secretaria, seguiu orientação do C4 – como é denominado o clã dos Pedrosa –, e demitiu todos os técnicos “ligados ao Waldir”, voltando com indicações da família Pedrosa e de vereadores. Com o inchaço garantido e nenhum plano ou ação de resgate das atividades assistenciais anunciado, Regina entrou num período de férias que pode se alongar por até seis semanas, se forem contados os feriados que ocorreram dias antes ou depois do período requerido, como Páscoa e Dia do Trabalho.

Servidores denunciaram que Regina já teria se ausentado da secretaria no dia 27 de março e anunciado que voltaria depois da Páscoa, mas sem dia marcado. A secretária, que recebeu contracheque de R$ 47 mil brutos dias antes de sair de férias, teria embarcado em um cruzeiro que incluía a Europa e a África, passando pelo rio Nilo, segundo informações de amigos.

Inicialmente, o “Órgão Oficial do Município” informava que as férias da servidora durariam até o dia 17 de abril. Porém, após a denúncia sobre as férias de Regina, publicada por O Tempo Betim há duas semana, o secretário municipal de Administração e também apostilado, Wagner Lara, a quem a folha de Regina está submetida, teria mandado um novo despacho para o “Órgão Oficial” passando as férias dela de 17 para 30 dias.

Nesta semana, a prefeitura tentou justificar a decisão de aumentar as férias de Regina em pleno caos da secretaria que lhe foi assegurada.

Segundo Wagner Lara, que teria perseguido servidores após supersalário de Regina ter vazado, houve um “equívoco” na publicação do “Órgão Oficial”. “Regina solicitou férias regulares de 30 dias anteriormente, mas ela irá retornar para a função no dia 22 de abril e ficará com o crédito desses dias para tirá-los depois”.

Explicações

O Sindicato dos Servidores Municipais de Betim (SindSerb) cobrou explicações mais claras sobre o pedido de férias de Regina.

Segundo o presidente do Sindserb, Geraldo Teixeira, “esse é mais um absurdo que está sendo cometido dentro da prefeitura”. “Como a secretária pode deixar a Semas em meio a tantas denúncias, sendo que ela foi nomeada para o cargo há menos de um mês? Era o momento de ela analisar a auditoria, que já revelou corrupção nos convênios da secretaria com a ONG Glacus e até investigar os demais convênios firmados. Enquanto isso, o governo se nega a conceder um reajuste melhor para o funcionalismo e ainda propõe que esse pagamento seja feito em duas parcelas, como aconteceu no ano passado”, declarou o sindicalista.

A reportagem tentou falar com Regina por telefone, mas ela não retornou as ligações.

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