Crianças lotam os hospitais

Com tempo seco, cresce a incidência de doenças respiratórias nos pequenos; procura sobe 50%

iG Minas Gerais | Luiza Muzzi |

Cheios. De fora, já é possível ver as longas filas de espera
douglas magno
Cheios. De fora, já é possível ver as longas filas de espera

Mães e pais que procuram atendimento médico para seus filhos nos principais hospitais infantis de Belo Horizonte precisam ter paciência redobrada. Com o aumento, nesta época do ano, da incidência de doenças respiratórias, unidades de saúde têm ficado até 50% mais cheias, segundo a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Enquanto os hospitais alegam estar trabalhando no limite de sua capacidade, pacientes se revoltam com longas esperas.

A reportagem de O TEMPO esteve nesta quarta no Hospital Infantil João Paulo II, no Santa Efigênia, na região Centro-Sul da capital, e no Hospital Infantil São Camilo, no Floresta, na região Leste. Nos dois, muitas mães esperavam cerca de três horas até conseguirem algum tipo de atendimento. “Estou há uma hora e meia esperando só para fazer a ficha. Depois ainda serão mais horas para conseguir o médico”, reclamou a técnica em enfermagem Quênia da Silva, 33, que levou o filho Luiz, 3, para se consultar no São Camilo. “Ele está com muita tosse e catarro, e eu saí do serviço para ficar aqui esperando. É horrível”, lamentou. No local, pelo menos 30 crianças aguardavam, na manhã desta quarta, por atendimento de um dos dois médicos de plantão. “Minha filha está com febre e dor de barriga há dois dias, e não sei qual remédio dar, então resolvi trazer ao hospital. Mas com essa demora toda ela fica sofrendo mais”, pontuou a vendedora Daniele Rodrigues, 22. “É uma tristeza. Independentemente do horário, está sempre cheio. Domingo retrasado esperei mais de cinco horas. Deveriam colocar mais médicos”, afirmou a auxiliar de produção Leidiane Carias de Oliveira, 29. Sem alternativa. No Hospital João Paulo II, a situação também era crítica. A embaladora Maria Rosa Ferreira, 48, esperava há três horas para que o filho, se queixando de dor no ouvido, fosse atendido. “O pior é que os meninos, que já estão sentindo dor, vão ficando sem paciência. Hoje, está demorando mais que nas outras vezes. Mas é preferível a demora aqui do que ficar esperando o dia todo no posto de Ribeirão das Neves, onde moro, e não conseguir nada”, ponderou.

Demora vira caso de polícia A demora no atendimento no Hospital Infantil João Paulo II virou caso de polícia na noite dessa terça. Segundo a Fhemig, um tumulto generalizado teve início na porta da unidade quando um médico afirmou que pacientes menos graves teriam que esperar ainda mais pelo atendimento, o que deixou muitas mães exaltadas. A situação foi rapidamente controlada e, ainda de acordo com a Fhemig, ninguém saiu sem ser atendido. Questionado sobre as filas de espera, o João Paulo II informou que está com carência de médicos e que trabalha no limite de capacidade, com todos os leitos ocupados e enfermarias lotadas. A assessoria da Fhemig informou que está com processos seletivos abertos para contratar profissionais.

Informações

- Espera. A Fhemig reconhece o problema da demora no atendimento, mas garante que, nos casos graves e urgentes, pacientes são tratados imediatamente ou em até 20 minutos. - Prioridade. O problema, segundo a fundação, é que muitos pacientes sem gravidade chegam ao Hospital João Paulo II e acabam esperando por quatro ou até cinco horas na fila de espera, já que a unidade trabalha com classificação de risco e dá prioridade aos casos de urgência. - Recomendação. Segundo a instituição, em casos não graves, como tosse ou febre, a orientação é que as mães procurem outras unidades de saúde, mais próximas à sua residência.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave