Viva todos!!!

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acir galvao
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Normalmente, escrevo esta coluna aos domingos, dia de poucos telefonemas e quase nenhum compromisso. Devido ao jogo do Sada Cruzeiro, meu time de vôlei, contra o Sesi-SP, disputando a final da Superliga no Mineirinho, e ao clássico entre o Atlético, meu time de coração, e o Cruzeiro, à tarde, no Mineirão, entendi que a crônica ficaria para segundíssimo plano. Na quarta-feira, conversando com uma amiga ao telefone, lembrei-me da coluna de quinta do jornal O TEMPO: – Hiiiiii!!! Esqueci a crônica, e agora? Escrevo sobre o quê? – Laurinha – ela respondeu sorrindo –, tem cinco dias que você não fala de outra coisa que não seja vôlei e futebol. Que tal? Despedimo-nos rapidamente e voltei ao computador. Sem saber por onde começar, resolvi começar do início (desculpem o pleonasmo), quando, na noite anterior à final do campeonato, ansiosa, não conseguia dormir. Sem sono, às 4h30 da manhã escuto um barulho estranho vindo do banheiro. Levanto-me e me deparo com a Pretinha, nossa vira-lata de 12 anos, estatelada no chão, tremendo, babando, com os olhos esbugalhados, as perninhas esticadas e enrijecidas. Apavorada, não sabia o que fazer. Tentei chamá-la pelo nome, fazendo-a voltar a si, pois estava claro que se encontrava fora de órbita. Seus olhos esbugalhados nada viam, e ela nem sequer tinha forças para se manter sobre as quatro patas. Corri ao quarto de minha filha pedindo ajuda, temia pela vida de nossa cachorra. Tremendo muito, Pretinha se colocou de pé. De repente, eriçou os pelos e nos encarou rosnando com os dentes à mostra. Sempre mansa e carinhosa, havia se tornado agressiva a ponto de querer nos atacar. Fechei a porta rapidinho e liguei para a clínica veterinária 24 horas. Estava pronta para levá-la ali às 4h45 da manhã. Cinco minutos depois, ao abrir devagarzinho a porta do banheiro, quem encontro abanando o rabinho e pulando alegre como sempre fez? A própria! Olhos e fisionomia normalizados e o entusiasmo de sempre. Olhei para minha filha com cara de espanto e, em seguida, sem entender nada, liguei novamente à veterinária pedindo uma explicação. Segundo ela, provavelmente nossa cachorra sofrera uma crise epilética. Que era para ficarmos atentas, caso a cena se repetisse. E, segundo uma amiga, Pretinha teria exorcizado alguma praga que chegou ao nosso quarto. “Até nisso ela foi incrível, livrando-os do mal”, disse minha amiga sorrindo. Será? Enfim, meu dia já começara tenso e só Deus para saber como terminaria. Oito horas da manhã. Eu e minha família prontas para ir ao Mineirinho e assistir à final da Superliga masculina de vôlei. Final é final, sinônimo de estresse, fortes emoções e corações em pleno teste ergométrico. E naquele dia seriam duas finais: do vôlei pela manhã e do futebol à tarde. Ou seja, eu “sada-cruzeirense” apaixonada de manhã e atleticana fanática à tarde. Endoidecida, que nem a Pretinha na insana madrugada. Deixo para a imprensa os comentários sobre nossa espetacular vitória e a brilhante temporada de nosso time de vôlei, cujo presidente é meu marido e cujo vice é meu cunhado. Time que vi nascer e crescer aos poucos, com atuações impecáveis e muita garra. Também deixo para a imprensa os comentários sobre a conquista do Campeonato Mineiro pelo Cruzeiro Esporte Clube, embora desconfiadíssima da arbitragem no julgamento de um pênalti não dado. Um absurdo!!! Mas deixa pra lá... Não quero entrar nesse mérito. Hoje quero escrever sobre a alegria de ver nossos atletas do vôlei com mais uma medalha no peito. Feliz, porque sei da luta, da perseverança e do equilíbrio exigidos para que se alcance o pódio. Escrever sobre a emoção de acompanhá-los na volta olímpica em um Mineirão lotado, após a vitória no Mineirinho, com a taça de campeão. Escrever também sobre a pontinha de tristeza que senti ao ver a ira dos atleticanos ao passarmos em frente à sua torcida. Confesso que naquele momento me senti como uma traidora. Queria dizer a eles que o time de vôlei Sada Cruzeiro nada tem a ver com o time de futebol, a não ser uma saudável parceria. Mas é impossível explicar essas coisas quando estão envolvidos fanatismo e paixão. No Mineirão, fui convidada para assistir ao jogo no camarote neutro de uma rede de TV. Ótimo! Pois não conseguiria me conter em meio aos cruzeirenses caso o Atlético fizesse um gol. De tanto cantar as músicas de um durante a manhã no Mineirinho e as músicas e o hino do outro à tarde no Mineirão, minha cabeça entrou em parafuso. No fim pensei: sou mesmo privilegiada, ser atleticana e “cruzeirense” ao mesmo tempo não é para qualquer um. Enfim, viva o Atlético, o Cruzeiro, o América, o Sada Cruzeiro, o Vivo-Minas e todos os clubes e as entidades que investem e acreditam no esporte, exercendo um papel fundamental na disciplina e formação de nossos jovens. A eles, os meus aplausos. Gostaria de convidar os leitores e amigos para a palestra que farei na Universidade Livre da Academia Mineira de Letras, no próximo dia 24, às 17h, cujo tema será “A magia da escrita”, abordando, dentre outras coisas, a composição e motivação de minhas crônicas. Endereço: rua da Bahia, 1.466 (entrada franca).

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