E viva o futebol e o governo brasileiros!

iG Minas Gerais |

O Botafogo, em crise permanente por causa de salários atrasados, contrata Emerson Sheik, pagando “só” a metade do salário que é de R$ 500 mil (o Corinthians pagará a outra metade para ficar livre dele). O Santos, clube grande que melhor aproveita as categorias de base no Brasil, buscou Leandro Damião no Internacional, por R$ 42 milhões. Cálculos da imprensa paulista informam que cada gol do atacante este ano saiu a R$ 800 mil, somando o custo pela aquisição, salários e “auxílio-moradia”. O quinto Leandro Damião é “o quinto artilheiro do time na temporada, com cinco gols em 12 partidas disputadas”. Enquanto isso, o plantel santista reclama do atraso no pagamento dos direitos de imagem, que é a parte do Leão dos salários da maioria dos jogadores. Atrás da Fifa O povo reclama da Fifa e dos custos da Copa do Mundo 2014, mas não se recorda que ela não pediu ao Brasil que recebesse o evento. Foi procurada pela CBF e governo brasileiro, dos então presidentes Ricardo Teixeira e Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro, pressionado por denúncias e investigações de corrupção, renunciou ao cargo e foi morar na Flórida (EUA); o segundo, tem grande parte do alto escalão cumprindo pena no Presídio da Papuda, em Brasília, pelo mesmo motivo. Troca de cadeiras Aliás, nada mais ridículo que a sucessão presidencial na CBF: Teixeira passou para o vice José Maria Marin, que agora passa por “aclamação” ao seu vice Marco Polo Del Nero. Marin manteve Teixeira como “consultor”, com um “módico cachê” de R$ 100 mil mensais; e, por sua vez, será mantido por Del Nero como vice. Não são do ramo Nenhum desses cartolões tem nada a ver com o futebol. Estão nisso por outros altos interesses, nem sempre confessáveis, mas são eles é quem mandam em tudo. Nas Gerais! Neste aspecto há grande esperança de mudanças de verdade no comando da Federação Mineira de Futebol (FMF), já que três candidatos estão na disputa da cadeira até então ocupada por Paulo Schettino, com ideias diferentes, boas.

No clubes Em relação aos clubes, temos que valorizar e muito as diretorias de Atlético e Cruzeiro pela condução dos nossos representantes na Série A do Brasileiro. Um, atual campeão da Copa Libertadores; outro, do Brasileiro. Ambos com elencos fortes, recheados de estrelas e com ótimas perspectivas de repetir grandes performances este ano, nas duas competições. Sem privilégios Com muito menos exposição na mídia nacional que os concorrentes paulistas e cariocas, e por consequência, patrocínios e direitos de transmissão de TV muito menores, Galo e Raposa deixaram para trás essa turma toda. Montaram times altamente competitivos, sabendo gastar, e nos últimos anos veem atrapalhando o desejo de hegemonia absoluta dos concorrentes abastados.

Força toda Os clubes paulistas e cariocas contam com a torcida e apoio irrestrito das grandes redes de televisão, abertas e fechadas. Felizmente, graças a mineiros e gaúchos, os interesses comerciais de quem realmente manda no futebol brasileiro ainda não transformaram o nosso campeonato nacional numa cópia ruim do Espanhol, onde Barcelona e Real Madrid disputam o título todo ano e vez por outra aparece um coadjuvante para incomodar. Medo à toa I A imprensa nacional tem falado de um colega, jornalista dinamarquês, que cobriu a Copa das Confederações, em Fortaleza, ano passado e por medo e decepção com as mazelas brasileiras, desistiu de voltar este ano para a Copa do Mundo. Se eu pudesse, sugeriria a ele que revisse o seu pensamento de não vir.

Medo à toa II Antes da Copa das Confederações de 2009, na África do Sul, pensei a mesma coisa que ele pensa do Brasil agora: “Será que vou encarar essa bandidagem de lá?”. Fui, me assustei com a violência e as dicas que eles dão para se precaver contra ela lá, mas gostei demais da conta, de tudo e de todos, obviamente tomando os cuidados necessários. Medo à toa III Muitas coisas realmente assustadoras. Em 2010, voltei para cobrir a Copa, um pouco mais temeroso, já que a imprensa internacional, especialmente a inglesa, escandalizava, tipo: “Se você está pensando em ir ao Mundial da África do Sul, muito cuidado, pois a sua família pode receber seu corpo de volta em um caixão”. Eu, hein!? Medo à toa IV Pois correu tudo bem demais da conta, melhor que no ano anterior e ninguém levou tiro, nada de anormal ocorreu com nenhum estrangeiro. Companheiros que foram roubados em seus apartamentos de hotéis nos primeiros dias tiveram seu material recuperado, os marginais presos e condenados por um tribunal criado especialmente para dar a agilidade a esses casos durante a Copa, e quem não foi se arrependeu. Acredito que no Brasil será a mesma coisa. Os protestos populares ocorrerão, com mais intensidade que no ano passado, porém, dentro da normalidade de um país democrático; creio.

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