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iG Minas Gerais |

Ilustração Salomão Salviano
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Você conhece Carlos Saldanha? Sabe que ele é carioca e um dos mais respeitados diretores de cinema da atualidade em Hollywood? Sabe que ele foi co-diretor de “A Era do Gelo” (2002) e “Robôs” (2005), e diretor de “A Era do Gelo 2” (2006) e “A Era do Gelo 3” (2009), sendo que esses dois últimos estão entre os filmes de maior bilheteria de todos os tempos? Pra fechar, sabe que ele é o diretor de “Rio” (2010) e “Rio 2”, que está em cartaz, animações que contam a história da ararinha-azul Blu e seus amigos no Rio de Janeiro? Assim, se você já viu alguma dessas duas últimas animações, sabe com precisão que Saldanha é um dos maiores expoentes da imagem e da cultura brasileira para o mundo afora. Falo assim porque, no roteiro de “Rio”, há tudo o que a Cidade Maravilhosa tem de melhor, de um modo fofo, divertido e numa perfeita animação. Ver esse belo trabalho em desenho das praias cariocas, do Carnaval, das favelas, dos carros de polícia, do futebol, dos animais silvestres, dentre tantos outros detalhes, pode parecer um baita de um clichê. Mas é gostoso reparar nos detalhes daquela cidade que você tanto ama, de um jeito lúdico e colorido, feito para encantar crianças e adultos do mundo todo. O cara está tão envolvido em apresentar para os gringos o país em que nasceu que, na viagem de Blu, Jade, seus filhos e amigos até a Amazônia, em “Rio 2”, ele faz questão de mostrar, mesmo que rapidinho, outras partes preciosas do Brasil, como Ouro Preto, Brasília e Salvador – tudo com uma trilha empolgante, que mescla o português e o inglês, daquelas de balançar as pernas entre as poltronas do cinema –, até chegar na floresta amazônica. É, sim, uma aula de tecnologia e, semioticamente, um aprendizado de como vender o nosso país para o mundo exterior e para nós mesmos. É claro que não podemos nem devemos viver alienados. Em meio à reportagem de 12 páginas de uma revista francesa mostrando as mazelas brasileiras de forma real e escrachada, inclusive os detalhes do dia a dia em que vivemos, como problemas na saúde, educação, transporte, violência e tantos outros que nos envergonham mundialmente, ter um profissional nativo que exibe, para todo o planeta, o que há de melhor no país, é fantástico. Os olhos do mundo estão no Brasil por causa da Copa do Mundo. No mesmo ano, Saldanha lança essa preciosidade cinematográfica. É pra morrer de orgulho, mais por ele do que por nós. Esse sentimento até apareceria por nós, se não víssemos também o episódio especial de “Os Simpsons” que, pela segunda vez, vem ao Brasil. Se no primeiro, há 12 anos, a família do meu desenho favorito barbarizou com piadas sobre o Plano Real, macacos e cobras na rua e outros clichês, e acabou incomodando alguns brasileiros, até com razão, neste novo episódio, mais real e menos chacota, eles vêm pra Copa para visitar várias cidades onde acontecem os jogos do Mundial. Aqui, eles se deparam com corrupção, com piadinhas sobre a língua portuguesa e nosso pouco senso de humor, com brasileiras de biquíni na TV e até no estádio, com o desmatamento na Amazônia, com cariocas impacientes... São fatos que, mesmo que eles tenham razão e não exagerem desta vez, te dão zero de orgulho por fazer parte dessa corja toda. Deveríamos ser como Saldanha. Se cada um de nós fosse como ele, venderíamos não só para o mundo um Brasil melhor, mais bonito e encantador. Mostraríamos para nós, individualmente, como é viver num país sem corrupção, com educação, sem desrespeito, com socialização. Não precisamos querer mudar o mundo, só o Brasil já é suficiente! E se até em desenho animado somos mais felizes do que parecemos, é sinal de que o rascunho já foi feito. Basta só pegar um quê de Simpsons pra agir como Saldanha.

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