Militares são suspeitos de execução no bairro Jardim Vitória

Crime aconteceu nesta madrugada e um dos suspeitos teria ameaçado a mãe, a irmã e o sobrinho da vítima, de apenas três meses, com um revólver enquanto outro vigiava a porta e o terceiro atirava na vítima

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Três policiais militares são suspeitos de um assassinato na madrugada desta quarta-feira (16) no bairro Jardim Vitória, na região Nordeste da capital. Mesmo sem mandado, eles pressionaram a mãe da vítima para entrar na casa e cerca de uma hora e meia depois, teriam voltado e executado um jovem de 19 anos. A corregedoria da Polícia Militar (PM) já foi acionada e o caso será investigado.

Segundo a auxiliar de produção Silvana Venâncio, 44, mãe do porteiro José Ricardo Venâncio, 19, por volta de meia noite, três militares que trajavam farda camufladas, uniforme utilizado apenas pelos batalhões Rotam e o Batalhão de Policiamento Especializado, bateram na porta dela. Eles estavam sem as devidas identificações e disseram ter recebido uma denúncia via 190 de que o filho dela teria uma arma em casa.

Silvana perguntou pelo mandado e disse que sem ele, eles não poderiam entrar. O trio disse que se ela não permitisse a entrada, ia ficar na porta da casa até ela abrir. “Como não tinha nada a temer, não devia nada a ninguém, deixei eles entrarem”, disse a mulher.

Ao entrar, viram José Ricardo deitado na cama e passaram a revirar as coisas dele. Nada ilícito foi encontrado. Perguntaram ao jovem se ele estava trabalhando fichado e ele respondeu que sim. Os homens então disseram que isso era bom, porque se acontecesse alguma coisa com ele, ele poderia deixar uma pensão, ou se ficasse preso, poderia ter o auxílio reclusão.

Além disso, eles questionaram três vezes se era ali que o jovem dormia. E era. Em seguida, foram embora, e José Ricardo falou à mãe: “Você é doida? Não podia deixar esses caras entrarem aqui, eles estavam sem identificação. Eles vão voltar e me matar”. Ele revelou que um dos três militares que o visitaram era primo de outro militar que seria um desafeto dele.

A mãe não acreditou que o filho estava ameaçado e eles foram dormir. Mas por volta de 1h30, acordaram com um barulho vindo do telhado e foram surpreendidos por três homens pulando a janela. Segundo Silvana, eram os mesmos homens fardados que estavam na casa mais cedo. A diferença, é que agora estava com toucas ninjas.

Um deles entrou no quarto do rapaz, que estava deitado, e deu seis tiros nele. Enquanto isso, o outro ficou na porta vigiando e o terceiro estava segurava uma lanterna dentro da casa e mantinha um revólver apontado para a cabeça da mãe da vítima, que estava acompanhada da irmã de José Ricardo e o filho dela, de apenas três meses.

Após o crime o trio fugiu, segundo a mulher, em uma viatura. Ela viu o veículo porque após o crime saiu gritando de casa tentando perseguir os três. A polícia foi chamada e outra viatura apareceu no local. Desta vez, os militares que estavam nele tentaram socorrer o menino e o levaram para o hospital Risoleta Neves, onde ele não resistiu aos ferimentos e morreu.

“Não quero que outras mães sofram o que eu estou sofrendo, se fizeram isso com meu filho, podem fazer com outros. Quero justiça! Eles tem que pagar pelo que fizeram”, disse a mãe da vítima, indignada.

Caso de polícia

Segundo o coronel Antônio de Carvalho, comandante do Policiamento Especializado da Polícia Militar (PM) de Minas Gerais, as informações vão ser checadas e a polícia já está colhendo relatos de testemunhas para apurar o que houve.

Foi constatado que o desafeto citado pela vítima não trabalhava na Rotam, mas já fez estágio lá. José Ricardo já teria se envolvido em um tiroteio no qual estava o homem, que não teve o nome nem a patente divulgada pela corporação. A vítima também já teve passagem pela polícia por tráfico de drogas quando menor. “Um erro não justifica o outro, a função da polícia é proteger, e não matar”, disse Silvana.

Além disso, também foi apurado que a bala que matou o jovem é de calibre 32, enquanto a arma utilizada pela PM é de calibre .40. 

O coronel Carvalho também informou que a corregedoria já foi acionada e que se for confirmada a participação dos militares no crime, eles terão que responder pelo homicídio e podem sofrer um processo administrativo e serem expulsos da corporação. 

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