Dilemas e contradições

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Dos três times brasileiros na Libertadores, o Cruzeiro é o mais definido na forma de jogar e com melhor elenco. Para Júlio Baptista atuar parado, de costas para o gol, como tem feito, é melhor Borges, que é mais rápido nas finalizações em pequenos espaços. O Grêmio, que era exaltado como o melhor brasileiro na Libertadores, por ter conseguido mais pontos na primeira fase, passou a ser criticado, questionado, após a goleada para o Inter. É impressionante como os conceitos mudam em poucos dias. O Atlético vive uma transição de identidade. Não joga no estilo Galo Doido, como fazia com Cuca, nem troca passes, desde a defesa, como gosta Paulo Autuori. O zagueiro Leonardo Silva, acostumado aos chutões, erra quase todos os passes, uma característica dos zagueiros brasileiros. O argentino Otamendi é exceção. O futebol é complexo. Muitos é que tentam simplificá-lo e reduzi-lo a dezenas de chavões e a boas manchetes. É difícil ser um ótimo treinador. Tudo é incerto. Há várias maneiras de vencer. Muitos sabem, mas, na hora de decidir, ficam confusos. A autossuficiência é necessária aos técnicos, mas está próxima da soberba. Quando isso ocorre, eles passam a lembrar apenas de suas experiências positivas, a achar que são mais sábios que a sabedoria e se tornam incapazes de aceitar críticas. Alguém já disse, provavelmente um escritor de livros de autoajuda, que a humildade não é o desconhecimento do que somos, e sim o conhecimento e o reconhecimento do que não somos. É uma bela frase. Não tenho nenhuma admiração por livros de autoajuda, mas não sou também metido a fazer um tipo que acha óbvio e primário tudo o que é simples e claro. Na Copa, as explicações já estão prontas. Se o Brasil perder na final, evidentemente a manchete será “Maracanazzo”. Se ganhar, mesmo jogando mal, vão exaltar a magia do nosso futebol e dizer que está tudo maravilhoso. Repito, pela milésima vez, o que passa a ser um lugar-comum, que temos dois futebóis brasileiros. Um, o da Seleção, moderno, em que quase todos os jogadores atuam fora e aprenderam a jogar coletivamente, e outro, praticado no país, na média, fraco, ultrapassado. Não são apenas os times de São Paulo e do Rio que estão mal. Eles estão piores. Há também coisas boas. O futebol espelha os dilemas, paradoxos e contradições humanas. Na Copa, a vitória pode ser pior que a derrota, para o futuro do futebol brasileiro. Quanto mais mostram os problemas da Copa e mais se teme as manifestações de rua, os assaltos e a violência nas cidades-sede, mais se vende ingressos. Muitos torcedores que se dizem éticos, honestos e justos adoram ser campeões com um gol roubado.

Polêmicas

No polêmico lance do clássico, não há dúvida de que o auxiliar errou ao marcar impedimento. A dúvida é se Jô cavou o pênalti. Acho que não, mas, como ele, nos últimos jogos, aprendeu com Neto Berola a tentar enganar o juiz, não tenho certeza, mesmo vendo um milhão de vezes. O juiz assinalou o pênalti, mas voltou atrás, por causa do impedimento. Na partida, o Cruzeiro foi melhor. Como se esperava, Ronaldinho e Guilherme ocupavam quase o mesmo lugar. Um atrapalhava o outro. Como R10 não marcava pela esquerda, Ceará tinha liberdade para avançar, mas não aproveitou. Quem tinha de sair era Ronaldinho. Com a entrada de Fernandinho, o lateral ficou mais atrás para marcá-lo. Parabéns ao Cruzeiro pelo título!

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