A tática da avestruz em momento de perigo

iG Minas Gerais |

Não passa de mito essa história de que a avestruz esconde a cabeça num buraco quando se vê em perigo. Ao contrário, ela tem grande capacidade de correr do inimigo. É capaz de dar patadas destruidoras e só fica quieta com o pescoço esticado ao tentar se camuflar contra um predador, no intuito de enganá-lo. Tanto faz: todas essas reações da avestruz se parecem com o que estou presenciando na conduta de governistas diante da crise da Petrobras. Lula, por exemplo, mandou que se defendam da crise dando patadas destruidoras. Está mais que na hora de o PT deixar de obedecer e passar a debater o que fazer. Gleisi Hoffman tenta correr desabaladamente. Só que, no seu caso, não sabe para onde ir. Aprova uma CPI sobre vários assuntos para em seguida apoiar o ingresso no STF com um mandado de segurança preventivo contra qualquer CPI. Depois, anuncia que vai repetir questão de ordem já decidida pelo presidente do Senado. Tolice que mostra que ela não domina – ao contrário de Romero Jucá e Renan Calheiros – as malandragens do Legislativo. Questão de ordem não se repete. Se o fizer, o presidente a rejeitará de plano, ainda mais que ele próprio, o espertíssimo Renan (para não usar adjetivo abusivo), já remeteu à Comissão de Constituição e Justiça sua própria decisão. Por último, ouvi atentamente a tática de tentar a camuflagem, usada em discurso no Grande Expediente pela deputada por Minas Gerais Margarida Salomão, que eu tanto admirei antigamente, como professora universitária. Doce Margarida! Será que perdeu o juízo? Em um apanhado de assuntos variados – homenagem aos perseguidos pela ditadura, revisão da Lei da Anistia, convocação de Constituinte exclusiva para realizar a reforma política, crítica à pouca representatividade dos eleitos para a Câmara, repúdio à corrupção e elogio ao tratamento dessa questão pelos órgãos competentes (TCU, PF, CGU etc.) –, o momento culminante: a necessidade de controle do PIG (Partido da Imprensa Golpista), que tenta desestabilizar o governo Dilma com as denúncias sobre a Petrobras e a compra da refinaria de Pasadena! Deus meu! Quem iniciou esse imbróglio sobre Pasadena foi a própria presidente Dilma, ao emitir nota dizendo ter sido enganada no Conselho de Administração da empresa quando votou a favor da compra. Há quantos anos o PT está no governo? Por que Lula e Dilma jamais trabalharam para efetivar uma reforma política? Por que não cuidaram de rever a Lei da Anistia? Que medidas adotaram para que se cumprisse o parágrafo 5º do Art. 220 da Constituição, que veda o monopólio ou oligopólio dos meios de comunicação social? Acontece que o compromisso com o conservadorismo do poder econômico e seus difusores ideológicos ajudou a eleição e reeleição dele, Lula, e ajudou a eleger Dilma. Mantido o compromisso, permitirão sua reeleição. Reeleição? Talvez – se o brasileiro for mesmo um povo distraído ou não veja, diriam os Titãs, uma saída para qualquer parte.

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