Menores aterrorizam cidade e já praticam 70% dos crimes

Para intimidar moradores, eles picham frases como ‘Deus cria, bandido mata’ e ‘X-9 morre’

iG Minas Gerais | Bárbara Ferreira |

Rapaz empina a moto pela rua quando vê que está sendo fotografado
UARLEN VALERIO / O TEMPO
Rapaz empina a moto pela rua quando vê que está sendo fotografado

Uma onda de violência e assaltos amedronta moradores e comerciantes de Itaúna, na região Central do Estado. A Polícia Militar diz estar ciente da situação, mas argumenta que vive um jogo de gato e rato – menores de idade são responsáveis por 70% dos delitos e, por conta da legislação, acabam sempre voltando para as ruas e para o crime. Uma das regiões mais críticas da cidade é o entorno do bairro Irmãos Auler, onde há uma gangue que tenta dominar o tráfico e comete crimes em bairros vizinhos para financiar as atividades. Dois líderes dessa quadrilha já foram identificados e são adolescentes, ambos de 17 anos.

Os moradores do bairro, na região Leste de Itaúna, estão assustados, têm medo de falar com a polícia e não acreditam em uma solução, já que são sempre as mesmas pessoas envolvidas. “Os menores tomaram conta daqui. Fui criada no bairro, e antigamente não era assim. A polícia os leva, e eles voltam”, conta uma moradora que pediu anonimato.

Pichações. A intimidação é uma maneira de os criminosos controlarem a população. A cada dia, um muro é pichado com frases ameaçadoras, como “Deus cria, bandido mata” e “X-9 morre” – a gíria é usada para designar delatores e, em um dos casos, foi escrita no muro de uma moradora que falou com policiais.

“Minha vizinha trabalha muito e é uma pessoa boa, mas ela começou a reclamar dos meninos e houve uma briga. Eles chegaram a jogar uma bomba na casa dela. Depois disso, ela acionou a polícia e eles estão prometendo que vão retirá-la do bairro”, conta outra moradora da região.

Ameaças a policiais também são comuns. “Alegria de bandido é ver PM pegar fogo” e “A nossa meta é matar polícia” são frases facilmente vistas no bairro.

Impunidade. Vicente Melo, 50, é dono do supermercado onde há um mês uma garota de 16 anos que trabalhava no caixa foi morta durante um assalto. As lojas de Melo já foram alvo de outros 20 assaltos, quatro apenas neste ano. Segundo ele, os moradores e comerciantes estão assustados e se sentem impotentes diante do aumento da criminalidade local, principalmente porque a maior parte dos delitos é praticada por menores, o que aumenta a impunidade.

Para a pesquisadora do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da UFMG Ludmila Ribeiro, o aumento da violência está ligado à sensação de impunidade. “Quando a pessoa é indiciada por algum crime, e a punição não ocorre ou demora para ser efetivada, gera uma sensação de impunidade, e quem cometeu o crime se sente confortável para cometer novas infrações”.

Assaltos

Média. Segundo a Polícia Militar de Itaúna, a cidade registra uma média de 180 assaltos por mês. Os adolescentes representam 25% das detenções, e o crime mais praticado por eles é o roubo.

Intimidação à equipe de reportagem Seguidos. O tempo todo em que a reportagem esteve na região do bairro Irmãos Auler, um grupo de menores acompanhou de perto o trabalho. Fomos seguidos e acompanhamos “exibições de força”, como motos empinadas e olhares de reprovação a moradores, que se calavam imediatamente. Droga. Alguns dos menores foram vistos escondendo drogas ao perceberem a chegada da equipe.

Justiça Atendimento. Segundo a prefeitura, Itaúna tem um Centro de Referência Especializado em Assistência Social. Lá, jovens enviados pela Justiça cumprem medidas socioeducativas, como tratamento psicológico, mas não há internação. Nesses casos, os menores são encaminhados para um centro em Divinópolis, a 40 km de Itaúna. Internação.Moradores e entidades tentam emplacar a criação de uma Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) para menores infratores.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave