Olhar do mundo do teatro para a produção de BH

iG Minas Gerais | Gustavo Rocha |

Teatro FranciscoNunes será reaberto com ‘Prazer’, do Luna Lunera
PAULACARVALHO
Teatro FranciscoNunes será reaberto com ‘Prazer’, do Luna Lunera

Se o Festival Internacional de Teatro (FIT) primava por trazer à cidade espetáculos que o público não teria oportunidade de ver em outras ocasiões, essa realidade parece ter mudado, segundo um dos curadores do evento, Leri Faria, e o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Leônidas Oliveira, em entrevista coletiva ontem. Em sua décima segunda edição, o evento bate recorde na participação da cena local, entre convidados e selecionados por edital: são 25 espetáculos. A ideia, de acordo com eles, é projetar os grupos de Belo Horizonte para o mundo.  

“Sem perder programação internacional, um dos pontos de destaque dessa edição é uma aposta em fazer um FIT em que o artista local pudesse mostrar seu trabalho. O festival funcionaria como uma vitrine para curadores e programadores de outros festivais. Aqui, eles poderiam ver os trabalhos produzidos na cidade”, destaca Leônidas Oliveira.

A FMC planeja lançar o projeto Intercena, que visa proporcionar aos grupos de Belo Horizonte a circulação por festivais nacionais e internacionais. A ideia é que a empreitada funcione como os prêmios existentes na cidade, que contam com aporte financeiro direto. “Acredito que a Fundação seja uma articuladora, tanto financeira como institucional, para estabelecer esse diálogo com outros festivais”, destaca Leri Faria, curador adjunto, responsável pelos eventos especiais.

A semente do projeto, no entanto, vem de edições anteriores do FIT, com a “Rodada de Negócios”, que aconteceu em 2010 e 2012. Nela, programadores de outros festivais vieram à cidade para assistir a trabalhos dos coletivos de Belo Horizonte, e começaram ali suas negociações para possíveis convites a esses grupos. A iniciativa bem-intencionada era, no entanto, tímida. “Não estamos chamando mais de ‘rodada de negócios’. Será o encontro de programadores com os artistas locais. Convidamos 30 deles. Até agora temos 20 confirmados”, garante Cássio Pinheiro, um dos curadores do FIT-BH 2014.

Os 44 espetáculos locais que se inscreveram na seletiva para o FIT farão parte de um catálogo que será produzido e entregue em um encontro com os programadores. Antes deles, os artistas poderão participar de uma masterclass com Mark Gonzalez, de Barcelona, que falará sobre o agenciamento de espetáculos. Os encontros são abertos a quem se interessar.

Para os grupos que não estão na programação do festival, vale a tentativa de convidar os programadores para assistir a algum ensaio ou espetáculo, mas o FIT se exime desse papel. “Não temos como agenciar esse movimento”, alerta Faria.

Além de uma edição recheada (inchada) com a produção local, o evento se estenderá por 20 dias, outra novidade. De acordo, com Oliveira, isso se deve “à grande quantidade de espetáculos que compõem a programação”. Os curadores e a diretoria do evento acreditam que o período prolongado desta edição possibilitará ao público “um respiro e a possibilidade de acompanhar toda a programação”.

Regionais. Um dos objetivos ressaltados na entrevista coletiva é a tentativa de levar a programação do festival a outras regionais e evitar a concentração de peças no centro. Embora essa seja um frequente em edições anteriores, os curadores apostam em uma novidade. “Não faremos uma invasão com o teatro, nos bairros. Dizendo ‘vocês devem assistir a isso’. Temos uma equipe com 30 artistas que farão a divulgação desses espetáculos antes de sua realização, pelas principais ruas do bairro”, destaca Faria.

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