Coexistência artística

Fundação Municipal de Cultura e curadores artísticos anunciam programação do Festival Internacional de Teatro

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Histórico. Fundado por Berlolt Brecht, Berliner Ensemblem traz sua versão de “Hamlet” para o FIT-BH
LUCIE JANSCH/DIVULGAÇÃO
Histórico. Fundado por Berlolt Brecht, Berliner Ensemblem traz sua versão de “Hamlet” para o FIT-BH

Sob o conceito curatorial de “coexistência”, os curadores do Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte e a presidência da Fundação Municipal de Cultura anunciaram as atrações de 20 dias do evento, que acontece de 6 a 25 de maio. Destaque para os franceses do Générik Vapeur, que voltam à cidade com “Jamais 203”, e Berliner Ensemble, com “Hamlet” – anunciado como a principal atração desta edição no último fim de semana –, além de vários espetáculos vindos da Alemanha.  

O anúncio inesperado e mais animador da coletiva foi a reabertura definitiva de dois teatros durante o evento: o Francisco Nunes, fechado há cinco anos, e o Marília.

Mas o que surpreendeu mesmo foi o “desabafo” de um dos curadores dessa edição: Jefferson da Fonseca.Ao falar sobre seu papel no festival e a curadoria do evento com 54 atrações, Fonseca disparou: “Eu estou cansado que um pequeno grupo de pessoas diga se algo é bom ou ruim. As pessoas investem quase um ano de suas vidas em um trabalho e alguém se arroga a dizer que aquilo não presta”.

Embora pareça contraditório, a fala de Fonseca mostra um dos parâmetros da equipe curadora formada ainda por Cássio Pinheiro e Geraldo Peninha. “A cultura da cidade somos todos nós”, filosofa Fonseca. A nova edição do Festival trará uma gama daquilo que, segundo seus curadores, seja o mais representativo de uma determinada localidade. “Trata-se até mesmo de colocar essas escolhas acima de qualquer gosto ou preferências pessoais”, afirma Peninha.

Fonseca lembra que a pesquisa dos curadores do evento não foi exatamente em torno de uma qualidade estética que os impressionasse. “Buscamos grupos que tinham cuidado com aquilo que queriam dizer. Mais do que um recorte estético, o teatro é um recorte do seu tempo. Fomos a Cuba ver um trabalho que não tem nada de novo, mas conta com uma pungência, atores tão ávidos dizendo o que dizem e além do mais um contexto político local que merece ser ouvido e visto. Por outro lado, vamos trazer algumas atrações da Alemanha. Nosso conceito de coexistência é justamente mostrar que o teatro cubano não deve nada ao teatro alemão”, destaca ele.

Alemanha. Um dos destaques da programação do Festival é a vinda do histórico Berliner Ensemble, com “Hamlet”. Com apoio da prefeitura de Berlim, por conta do ano da Alemanha no Brasil, o grupo foi responsável por revelar a obra, os pensamentos, as visões de teatro e o mundo daquele que talvez seja o mais influente homem de teatro do século XX: Bertolt Brecht. Embora Brecht tenha falecido em 1956, seus companheiros de grupo mantiveram o teatro em pleno funcionamento, fundado na Alemanha Oriental. Apesar dos ideários comunistas alemães terem se amainado com a queda do Muro de Berlim, em 1988, a Alemanha tenha se unificado e se transformado em uma potência capitalista, o Berliner Ensemble, companhia com forte identificação comunista por conta de seu fundador, volta a ser – segundo Cássio Pinheiro – “uma das referências do teatro feito na Europa”. “São 55 pessoas no palco”, destaca Leônidas Oliveira, presidente da Fundação Municipal de Cultura.

Já o Générik Vapeur é um marco histórico das primeiras edições do FIT, quando os homens azuis de “Bivouac” invadiram a cidade e comandaram um cordão de milhares de pessoas pelas ruas de Belo Horizonte, por duas vezes (em 1994 e 1997). O grupo trouxe ainda “Coche Porque? Porque Coche”, em 1996 .

Popular. Naquilo que projeta ser “o maior FIT de todos”, a Fundação Municipal de Cultura investirá R$ 6 milhões em um orçamento que deverá chegar aos R$ 7 milhões. A programação conta com 18 espetáculos internacionais, 13 nacionais e outros 25 locais. Recorde de participação dos grupos da cidade.

Embora, em seu histórico, o festival tenha oferecido ingressos a preços bastante acessíveis e apresentações em espaços públicos de diversas regiões de Belo Horizonte e região metropolitana, Fonseca crê que ele se relegava a apenas ao público iniciado em artes cênicas, “estudantes de teatro e gente que faz teatro, principalmente”. Pinheiro acredita que a oferta de espetáculos nas regionais conseguirá pulverizar a programação do evento. “Esse é um FIT voltado para o cidadão, mais abrangente e que privilegia linguagens para variados públicos”.

Com esse propósito, o Festival investe pela primeira vez na programação para o público infantil, por meio do Fitinho. “Temos essa lacuna na cidade. Não há teatro produzido para crianças entre 2 e 8 anos de idade. As pessoas podem perguntar se o FIT deve mesmo trazer esse tipo de programação, se a barreira da língua não vai atrapalhar, mas nada isso é problema”, destaca Jéfferson.

O ingressos começam a ser vendidos no dia 28 de abril, nos Postos da Belotur, a R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada). Ao contrário de anos anteriores, não haverá pacotes com preços mais baixos para quem comprar mais ingressos.

Não perca!

“Hamlet”, do Berliner Ensemble (Alemanha)

“Jamais 203”,“Rapsodia Para El Mulo”, do Générik Vapeur (França) do El Ciervo Encantado (Cuba)

“Emilia”, TimbrE4 (Argentina)

“Cine Monstro”, com direção de Enrique Dias

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