Pílulas saborosas

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Alguém legal postou e fui lá conferir “Costanza&Marilu”. Exclusivamente exibido na internet, o programete traz a papisa da moda, Costanza Pascolato, e a artista plástica Marilu Beer em conversas informais sobre os mais variados temas, em episódios de menos de dez minutos. Amigas há mais de 50 anos, as duas não demoram a confessar admiração que sempre tiveram uma pela outra, mas de uma maneira nada piegas: “No fundo, no fundo, eu queria ser ela. Adoraria ter cinturinha, me comportar... E eu era o contrário”, diverte-se Malu. “Eu era uma menina careta, aparentemente. E quando você entrou no meu apartamento dramaticamente. Uma imagem que entrava no meio daquela bando de ovelhas.... Eu senti que tinha atração fatal por todas as coisas marilus”, afirma Costanza. Mas o que elas fazem melhor é soltar o verbo. “Conheço muitas amigas que eram lindas e foram ficando menos e ficaram desesperadas. Eu não, dou graças a Deus que tenho mais ou menos a cara que tinha antes. Tenho uns papos, mas e daí (...) Vejo minhas amigas todas gêmeas, com aquelas injeções” afirma Costanza, para Marilu completar: “Me sinto bem como estou, cheia de ruga, não quero parecer 40 anos. Acho horrível essas velhas de 12 anos”. É de se comemorar a ideia de colocar essas duas mulheres, ambas com 74 anos, bem-humoradas, cheias de histórias, em plena atividade – Costanza com sua tecelagem e seu papel na moda brasileira e Marilu, com seus trabalhos em artes plásticas –, esfregando seus estilos de vida na cara dessa nossa sociedade que idolatra a juventude e execra a velhice, em todos os níveis. E embora Marilu diga logo no programa de estreia que a experiência delas “não serve pra ninguém porque o negócio é errar na vida”, não há como não criar empatia. Que vontade de chegar na idade delas com o mesmo vigor, exalando bom humor e personalidade! “Sou uma outsider. Não uso GPS, eu não gosto de me encontrar. O Fabrício me dizia ‘você perde os óculos, a carteira, perde tudo porque a sua alegria depois é grande ao encontrá-los’”, fala Marilu. “Toda vez que eu vejo alguém fora do padrão, eu paro e presto atenção pois ali tem alguma coisa para aprender (...) Você abre o horizonte”, afirma Costanza. E assim, como quem não quer nada, Marilu e Costanza vão falando coisas importantes – ou saborosas – de se ouvir. No mínimo, são fragmentos de trajetórias interessantíssimas de duas mulheres que pensam sobre a contemporaneidade e vivem intensamente, com direito a festa na casa de Truman Capote e presença de Andy Warhol. Por enquanto, “Costanza&Marilu” só está disponível na internet, mas está em negociação para ganhar a TV. Tomara. Quem sabe exibido na telinha não chame para a realização de outras produções que abram espaço para os mais velhos falarem e, assim, muda-se a mentalidade de todo o país. Quem sabe. Por enquanto, divirta-se no Youtube .

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