Socorro! Chegou a hora da carteira

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ALISSON GONTIJO – 26.7.2010
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Publicamos há cerca de dois anos um texto, em tom de desabafo, que contava a história de Janaina, uma jovem que, depois de repetir algumas vezes o exame para conseguir sua habilitação, estava prestes a desistir de tanto estresse pelo qual vinha passando. Perdemos o contato com a protagonista daquela história, não sabemos se foi em diante ou pendurou as chuteiras antes mesmo de entrar em campo. O fato é que mesmo tendo passado algum tempo, é sempre recorrente esse tema. Em uma roda de conversa nesta semana, escutei de uma mãe que sua filha teve de recorrer a uma consulta médica de tanta ansiedade pela qual passava. E levou a receita azul autorizando a compra de um calmante tarja preta. Menina saudável, universitária, alegre e que, nessa altura da vida, tem como único foco a capacitação profissional para seguir buscando um lugar ao sol no cada vez mais disputado mercado de trabalho. Mas que, de uma hora para outra, passa a tomar remédio controlado, que pode levar a dependência. Tudo para tentar se controlar, porque só de imaginar o momento do exame, sofre, morre de medo, como se estivesse indo para um severo castigo. As mãos suam, as pernas tremem e o nervosismo toma conta. Por mais que tenha treinado e se aplicado durante as aulas práticas, ali, na hora do vamos ver, tudo que foi aprendido parece ter sido esquecido. Só impera o nervosismo, e o resultado final não poderia ser outro que não a reprovação. Algo está muito equivocado nesse processo, e isso se arrasta há décadas. Um momento importante na vida de tantas pessoas, que poderia para sempre ser relembrado como uma grande conquista, a verdadeira e legítima obtenção do direito de ir e vir motorizado, se torna um pesadelo, daqueles de acordar no meio da noite, com medo, pavor e até pânico. Parece que o mundo vai acabar (e para muitos acaba mesmo), se ao fim da avaliação, a tão sonhada aprovação não acontecer. E desde que o mundo existe a coisa funciona assim, neste sistema de suor e lágrimas, o que não faz o menor sentido. E não é um privilégio dos que tentam a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em Belo Horizonte. Em várias capitais e no interior, as dificuldades relatadas são, se não as mesmas, muito parecidas. Sem falar do bolso, que sofre com o alto custo para que o candidato possa sair com a CNH nas mãos. Uma pesquisa aponta que existe uma variação que vai de R$793 a R$ 1.160, incluindo taxas e exames, em um pacote básico com 20 aulas práticas. Esse preço vale enquanto se discute a obrigatoriedade do simulador, um assunto em “stand-by”, e que virá, uma vez aplicado compulsoriamente, onerar ainda mais este valor. O curioso é que, quando surge esse assunto, logo aparece alguém com um caso particular para contar sobre um filho, parente ou amigo que esteja enfrentando o mesmo problema. Um verdadeiro muro das lamentações em volta de algo que poderia ser enfrentado de forma mais suave e amena. Será que não é chegado o momento de grande reflexão e debate em cima desse assunto? Quem sabe se “encarando” a fera de frente, diminua a ansiedade dos que estão em uma fase da vida em que esse tipo de preocupação não deveria tomar uma proporção tão grande. Um verdadeiro tormento que pode até causar prejuízo para a saúde e marcar de forma negativa a vida do jovem candidato à CNH.

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