Dobra o número de vítimas de exposição sexual na internet

Em 2013, 101 pessoas procuraram ajuda psicológica, contra 48 no ano anterior, diz SaferNet

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Iniciativa. Imagem da campanha lançada pela SaferNet busca a conscientização dos perigos da rede
SAFERNET.ORG/DIVULGAÇÃO
Iniciativa. Imagem da campanha lançada pela SaferNet busca a conscientização dos perigos da rede

O número de casos de “nude selfie” (selfies com nudez) e “sexting” (compartilhamento de imagens e vídeo de cunho sexual pela internet ou por aplicativos de mensagens) aumentou 110% de 2012 para 2013. Os dados são de uma pesquisa realizada pela ONG SaferNet e divulgada nessa segunda.  

A organização oferece um serviço online gratuito de ajuda e orientação psicológica para pessoas que estejam passando por situações de risco ou perigo na rede. Em 2012, foram feitos 48 pedidos de ajuda relacionados ao “nude selfie” ou ao “sexting”. Já no ano passado, o número subiu para 101.

“O que tem aumentado o índice de exposição é um crescimento do número de usuários da internet em si. Esse novo número de usuários usa a internet desconhecendo seu real potencial”, analisa o presidente da Comissão de Informática e Direito Eletrônico da OAB-MG, Luís Felipe Silva Freire.

A repercussão pública de alguns casos também justifica esse aumento. “Os casos que aconteceram em 2013 tornaram mais visíveis esses problemas e encorajaram as pessoas a buscarem mais ajuda”, complementa a psicóloga Juliana Cunha, da ONG.

Faixa etária. A pesquisa também revelou que a maior incidência de casos envolvendo “nude selfie” e “sexting” está entre adolescentes de 13 a 15 anos. “É uma idade em que as pessoas estão começando a ter as primeiras experiências de sexualidade e há mudanças corporais: as meninas passam a ter corpo de mulher, e os meninos, de homem. Mas eles não têm a maturidade de um adulto. Eles passam a divulgar essas imagens, mas não estão prontos para sofrer as consequências”, diz Juliana.

Quem divulga materiais de cunho sexual sem autorização pode ser penalizado criminalmente e civilmente. A situação se agrava quando se trata de materiais de menores de idade. “Pode-se configurar como crime de pornografia infantil, que tem pena de 3 a 6 anos mais multa”, alerta Juliana.

Além disso, se o Marco Civil da Internet for aprovado pelo Senado, as vítimas estarão ainda mais protegidas. “O Marco Civil estabelece que uma simples notificação extrajudicial ao provedor garante a retirada desse tipo de conteúdo do ar, diminuindo os danos à vítima. Além disso, o documento estabelece como obrigação dos provedores guardar as informações dos usuários de seis meses a um ano, facilitando a localização dos autores do crime”, explica Silva Freire.

Relembre os casos mais marcantes

Ago. 2013. A advogada Denise Leitão Rocha, então assessora parlamentar no Senado, teve divulgado um vídeo em que aparece fazendo sexo. Ela foi exonerada do cargo.

Out. 2013. Fran, 19, teve as fotos em que aparecia fazendo sexo divulgadas pelo WhatsApp. O principal suspeito era o homem casado com quem ela mantinha um relacionamento.

Nov. 2013. Júlia Rebeca, 17, se suicidou em Parnaíba, no Piauí, depois que um vídeo de cunho sexual dela começou a circular nas redes sociais.

Abr. 2014. Estudante paulista de 19 anos teve fotos suas divulgadas na internet. Nas fotos, ela estava nua ao lado de cinco homens.

Campanha

Mundial. A SaferNet lançou nessa segunda uma campanha mundial contra a divulgação de fotos, vídeos e mensagens íntimas. Quem precisar, pode buscar ajuda no site www.canaldeajuda.org.br.

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