Defesa de Dilma faz Bolsa cair

Presidente faz discurso em prol da estatal e mercado reage com queda acentuada das ações

iG Minas Gerais |

Pela culatra.Dilma Rousseff durante inauguração do navio petroleiro Dragão do Mar, em Ipojuca (PE)
Roberto Stuckert Filho/PR
Pela culatra.Dilma Rousseff durante inauguração do navio petroleiro Dragão do Mar, em Ipojuca (PE)

SÃO PAULO. A presidente Dilma Rousseff saiu em defesa da Petrobras nessa segunda e, coincidência ou não, as ações da estatal caíram ainda mais. Além disso, o Ibovespa fechou em queda de 0,52%, aos 51.596,55 pontos, puxado, em parte, pela baixa das ações da Petrobras. Os bancos também ajudaram a levar o índice para baixo.  

Seguindo orientações do seu mentor e antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente defendeu a Petrobras e disse que não vai permanecer calada enquanto detratores, que têm interesses políticos, ferem a imagem da estatal.

Esse foi o primeiro evento público que reuniu Dilma e a presidente da Petrobras, Graça Foster, desde o início da onda de denúncias envolvendo a petroleira após o jornal “O Estado de S. Paulo” revelar que Dilma deu aval à polêmica compra da refinaria de Pasadena com base em um relatório considerado “falho” e “incompleto” pela própria presidente.

A Petrobras ON fechou em queda de 1,60%, cotada a R$ 15,36. Petrobras PN terminou o dia em baixa de 1,73%, cotada a R$ 15,93. Apesar de terem operado em baixa ao longo de todo o dia, as perdas das ações ordinárias e preferenciais da Petrobras se aprofundaram após o discurso da presidente Dilma. Antes da fala sobre a companhia, as retrações estavam em torno de 0,40%.

“Defenderei em qualquer circunstância e com todas as minhas forças a Petrobras. Não transigirei em combater qualquer ação criminosa, tráfico de influência, ou ilícito de qualquer espécie”, disse a presidente.

Segundo Dilma, as avaliações sobre a recente queda de valor de mercado da Petrobras distorcem dados e manipulam análises, transformando eventuais problemas conjunturais de mercado em fatos irreversíveis e definitivos. “Defenderei em quaisquer circunstâncias e com todas as minhas forças a Petrobras”, afirmou.

Ela acrescentou que a produção da estatal vem crescendo nos últimos anos e que a empresa é a que mais investe no Brasil. A presidente lembrou que em 2003, no início do governo Lula, a Petrobras valia no mercado R$ 15,5 bilhões, e hoje, mesmo com problemas, vale R$ 98 bilhões.

Dilma também falou que os órgãos de fiscalização e controle, como o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Controladoria Geral da União estão sempre atentos para exercer suas funções. “O que tiver de ser apurado será apurado com rigor”, comentou. Ela mencionou que a auditoria da Petrobras, o programa de prevenção à corrupção da empresa e as comissões de apuração “são os mais eficazes mecanismos de controle e fiscalização internos”.

Apoio

Pedido. A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, encerrou seu discurso no evento com um pedido de apoio dos empregados: “Nesse momento preciso muito da energia de todos vocês”.

Deputado pediu ajuda para Costa Brasília. Um dos integrantes da cúpula da Câmara, o deputado Simão Sessim (PP-RJ) chegou a pedir uma “valiosa ajuda” para Paulo Roberto Costa, pivô da operação Lava Jato que está preso. Sessim, que é segundo secretário da Mesa Diretora da Câmara, pediu que uma firma indicada por ele obtivesse contratos com “grandes empresas” e na Petrobras. Em e-mail apreendido na casa de Costa, Sessim pede a ele sua “valiosa ajuda para a empresa NIL Locações Ltda que pertence a um amigo.”  

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