MPE pede identificação por DNA de bebês em necrotério

Promotoria exige que os 40 corpos tenham enterro digno

iG Minas Gerais |

Corpos de recém-nascidos estavam amontoados em geladeiras
UFRJ/REPRODUção
Corpos de recém-nascidos estavam amontoados em geladeiras

Rio de Janeiro. O Ministério Público Estadual (MPE-RJ) quer que o Hospital Universitário Pedro Ernesto, ligado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), identifique, por exame de DNA, os corpos de 15 bebês que estão abandonados no necrotério da instituição, alguns há mais de 4 anos. A promotora Ana Cristina Macedo, que esteve no hospital, disse que cerca de 40 corpos de recém-nascidos estão amontoados nas geladeiras do necrotério.

“Agora temos que identificar cada corpo, os parentes e fazer com que todos os corpos sejam devidamente sepultados. A situação dos corpos era horrível. Havia corpos enrolados em lençóis, sacos, alguns já se desfazendo. Chocante”, lamentou Ana Cristina.

Além de exigir a identificação dos bebês, o MPE-RJ pediu a lista com nome e endereço de todos os pais. De acordo com a promotora, o Ministério Público também vai investigar o motivo do armazenamento dos corpos e exigir providências do hospital como um todo, “para que situações como esta não mais aconteçam e para que o responsável seja responsabilizado”.

O diretor do hospital, Rodolfo Nunes, reconheceu a falha e informou que abrirá sindicância para corrigir os problemas. Em nota, a direção do hospital informou que nomeou uma comissão de sindicância para apurar os fatos e aspectos operacionais envolvidos. Além disso, diz a casa de saúde, uma comissão especial está reavaliando as rotinas dos setores que lidam com o assunto para aprimorar o processo.

Entenda. O caso foi descoberto por acaso. Uma mulher deu à luz em junho de 2012 um bebê prematuro de 6 meses, que pesava 800 g. Usuária de crack, ela abandonou o menino no hospital. A promotoria da Infância e Juventude foi comunicada, como é de praxe. A criança morreu em agosto, e a promotoria enviou ofício, pedindo informações sobre o sepultamento do bebê, para encerrar o caso. Não havia documento, porque o menino continuava no necrotério do hospital.

A promotora Ana Cristina Macedo vistoriou o necrotério. Encontrou 40 corpos de bebês, 15 deles sem identificação nenhuma. “Eram corpos amontoados, mal-armazenados. Uma situação estarrecedora, difícil de contar”, disse em entrevista ao Fantástico. Rodolfo Nunes disse à reportagem que o corpo do bebê havia sido encontrado e seria sepultado.

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