Move opera com ônibus lotado

Passageiros encontram plataformas e veículos cheios no primeiro dia útil da nova fase do sistema

iG Minas Gerais | Bernardo Miranda |

Transtorno. Com o maior movimento ontem, plataformas ficaram cheias, e também houve filas nos guichês para compra de bilhetes
Alex de Jesus
Transtorno. Com o maior movimento ontem, plataformas ficaram cheias, e também houve filas nos guichês para compra de bilhetes

O primeiro dia útil da nova fase do Move (nome dado ao BRT da capital) foi de quadro de horário reforçado, que garantiu agilidade, mas não evitou ônibus lotados e reclamações por parte dos usuários. A principal mudança nessa nova etapa foi a integração das linhas 5523A (Conjunto Paulo VI) e 5508 (Aarão Reis, via Manacás). Esses coletivos, que antes iam até o centro, agora se transformaram em alimentadores, levando os passageiros do bairro até a Estação São Gabriel para que eles terminem a viagem de Move.

A baldeação irritou a maioria dos usuários das antigas linhas. A doméstica Aparecida das Dores, 49, sai todo dia do bairro Paulo VI, na região Nordeste da capital, com destino ao centro. Como ela pega o ônibus no ponto final, ia sentada durante todo o trajeto. Agora, reclama que tem que descer no meio do caminho e entrar em um ônibus lotado para chegar até seu destino. “Ainda não sei se vou chegar mais rápido, mas terei menos conforto tendo que ir de pé no restante do trajeto”, desabafou a passageira. Com essa nova etapa, houve um incremento de 23 mil novos usuários por dia no Move. Para atender essa demanda, o número de viagens da linha 83D (Estação São Gabriel/ centro direta) aumentou 73%, passando de 75 partidas diárias para 130. O intervalo entre uma viagem e outra no horário de pico chegou a ser de seis minutos. Porém, mesmo com o reforço, os coletivos saíam lotados da estação. “Cheguei aqui, mas no primeiro ônibus não deu para entrar. Estava muito cheio. Agora vou esperar o próximo para ver se está mais tranquilo”, disse a estudante Jennifer de Paula, 17. Apesar de esperar por mais um ônibus, ela destacou que pelo menos vai gastar menos tempo para chegar ao estágio. “Mais rápido é, sim, porque com congestionamento chego a gastar duas horas no trânsito”. Ganho. A reportagem de O TEMPO fez o percurso do Conjunto Paulo VI até o centro e gastou uma hora e 11 minutos. Do ponto final da linha 815, que substituiu a 5523A, até a Estação São Gabriel foram 38 minutos. Após descer na estação e entrar no Move, foram mais 12 minutos. Já da Estação São Gabriel até o centro foram mais 21 minutos, sendo sete deles em manobras dentro do próprio terminal. Os usuários da antiga linha afirmam que gastavam cerca de uma hora e meia até o cento. A Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) informou que monitora permanentemente a operação do Move e promove ajustes, sempre que necessário, utilizando a frota de ônibus articulados à disposição. Nesta segunda, foram usados 34 veículos, 55% a mais do que os utilizados na primeira fase do sistema.

Hospitais Obras. Começam nesta terça as obras de implantação do terminal do Move metropolitano na avenida Bernardo Monteiro. A estrutura será erguida entre as avenidas dos Andradas e Francisco Sales.

Segunda etapa do Move O que funcionou: - Pontualidade. Os ônibus das novas linhas alimentadoras não apresentaram atrasos e saíram de três em três minutos, nos horários de pico. Já na Estação São Gabriel, a cada intervalo de quatro minutos, saía um coletivo com direção ao centro, intercalados entre as linhas 83D e 83P (São Gabriel/centro - paradora). - Agilidade no Corredor. O Move não teve problemas em circular nos corredores. Para percorrer toda a pista exclusiva da avenida Cristiano Machado, entre a Estação São Gabriel e o túnel da Lagoinha, o ônibus da linha 83D gastou cerca de sete minutos. Nesse percurso, a velocidade média foi de 58 km/h. - O que não funcionou: Filas. Mesmo com o movimento maior, o número de atendentes nos guichês foi o mesmo – dois – resultando em filas. - Desorganização. Não há fila preferencial para idosos e pessoas com deficiência entrarem nos ônibus do Move. Quando o coletivo se aproxima da plataforma, os passageiros se empurram para conseguir sentar. - Ônibus noturnos. As linhas extintas circulavam de madrugada, mas a Estação do Move fecha 0h. A BHTrans informou que os usuários contam com outras linhas que continuam a circular à noite, mas os passageiros não foram informados.

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